Dinheiro, carros e mulheres. A vida de muitos jogadores que começam no futebol vislumbra esses três fatores. Mas o Cruzeiro, por meio de parceria com o Colégio Rui Barbosa, oferece a seus jogadores das categorias de base a oportunidade de focar num pilar que será importante para a vida inteira: a educação. Na noite dessa quinta-feira, o clube celeste promoveu o lançamento da 1ª Feira de Cultura dos meninos da base, com a apresentação de temas relacionados ao esporte.
Ao todo, mais de 100 alunos da Toca I têm a oportunidade de garantir o futuro, se não for como jogador profissional, no caminho dos livros, que pode minimizar o tempo investido no sonho de ser um craque da bola, caso a chance não apareça nos gramados. No espaço instalado pelo time estrelado na ‘Toquinha’, os alunos são divididos em cinco turmas e têm aulas nas duas últimas séries do Ensino Fundamental e nas três do Ensino Médio.
“Independentemente de conseguir realizar o sonho de ser jogador de futebol é bom ser bem-sucedido em qualquer profissão, e para isso é fundamental ter o conhecimento. Estamos no planeta do conhecimento. Se você não souber das coisas, você não vai a lugar nenhum. A escola de uma maneira geral mostra um caminho que, normalmente, é um caminho correto. Por outro lado, quando você adquire o conhecimento, você se sente mais seguro para realizar as suas funções. E no futebol não é diferente. Quando você tem cultura, você consegue ir mais longe. É importante que o menino entenda isso. Isso é o principal”, disse o ex-goleiro.
O diretor do Colégio Rui Barbosa, Luís Carlos Tavares, exaltou a oportunidade de estudar como opção para lidar com a frustração em um meio competitivo. “É uma outra alternativa que o atleta tem. O futebol é muita concorrido. Na escola há 100 atletas, mas a gente sabe que pouquíssimos vão ter sucesso. O clube possibilita a eles uma escola, que é uma maneira de dar prosseguimento aos estudos e ter melhores condições de vida, mesmo que não seja no futebol”, avaliou.
Conheça os projetos:
Futebol e Altitude
Os meninos do 1º ano retrataram por meio de uma maquete, como funciona a mudança atmosférica de acordo com a altitude. Segundo o professor orientador do projeto, Marcos Daniel, é importante que eles saibam essa diferença para estarem precavidos quando realizaram jogos em regiões mais altas.
O goleiro do Júnior, Charles Marcelo, que cursa o 3º ano, já teve a oportunidade de jogar na altitude, em Cochabamba (Bolívia), a 2.600m, e atesta os efeitos negativos de partidas em regiões elevadas. “A maior diferença que eu notei foi a velocidade da bola. Senti uma diferença muito grande. Tomei dois gols por não ter experiência com isso. Fui uma semana antes para adaptar, mas tive dificuldade. Quando fizemos um jogo no Equador estávamos mais acostumados e sentimos menos. Mas até mesmo no gol eu senti falta de ar. No vestiário tínhamos um balão de oxigênio. Só que quem sofreu mais foram os jogadores de linha”, afirmou.
Lançamento de Projétil
“O estudo analisa a forma ideal de se fazer um lançamento para ele atingir a maior distância possível. No campo de futebol, ele é valido para bater o tiro de meta e faltas distantes do ponto onde se quer lançar. Também serve para os arremessos de basquete. Através dos estudos, aliando teoria e prática, observamos que os lançamentos feitos com ângulo de 45 graus são os que conseguem manter mais velocidade e chegar mais longe. Quantos mais se diminui o ângulo, mas longe vai o projétil. Mas o ângulo ideal para as situações de longa distância, de bola ou de qualquer objeto, é o de 45 graus.”, frisou.
Embora tenha citado que seja difícil racionar sobre o estudo enquanto se joga, o aluno e goleiro Kaiky Messias admitiu que as aulas o fizeram pensar melhor na hora de bater o tiro de meta.“Depois que estudei, eu observei e entendi que as bolas mais rasantes são melhores para armar os contra-ataques e passei a bater tiros de meta desse jeito”, garantiu.
História do Cruzeiro e Crise no Futebol Brasileiro
Os estudantes da 7ª e 8ª série optaram por falar da história celeste e da crise no futebol, respectivamente. Com fotos de uniformes desde o nascimento do Palestra Itália e de equipes antigas do Cruzeiro, os alunos mais novos fizeram um túnel do tempo com dados sobre o clube celeste e também um jogo de tabuleiro. Já na última série do ensino fundamental, a charge foi a ferramenta escolhida para criticar dirigentes e jogadores.
Globalização e Futebol
Robinho, Diego, Pato e Kaká. Muitos são os exemplos de jogadores brasileiros que fizeram sucesso, ainda muito jovens, e que depois desembarcaram na Europa para dar continuidade à carreira. O sonho dos jovens da base celeste não é muito diferente do que aconteceu com esses craques. Por isso, os alunos do 2º ano desenvolveram um painel que mostra a globalização do futebol e a realidade vivenciada em outras culturas, numa espécie de laboratório para atingir o mercado europeu.