Espremido entre os Andes e o Oceano Pacífico, mas com dimensões e características suficientes para exigir da caravana que segue na disputa da 33ª edição do Rali Dacar tanto ou mais do que o Saara, nos tempos em que a maratona ocorria em continente africano. Depois de um aquecimento de quatro dias atravessando a Argentina, motos, quadriciclos, carros e caminhões começam a encarar hoje o Deserto do Atacama, na quarta etapa cronometrada da competição. Não bastassem os 761 quilômetros entre San Salvador de Jujuy e Calama, parte do deslocamento levará os competidores aos 4.800m de altitude do Passo de Jama, por onde entrarão em território chileno, iniciando a fase decisiva da prova.
Nas quatro rodas, três duplas se isolam na ponta e aparecem como principais candidatas à vitória. O sucesso na etapa foi de Nasser Al-Attiyah/Timo Gottschalk, com um VW Touareg, à frente dos companheiros de equipe Carlos Sainz/Lucas Cruz (que seguem na liderança) e dos franceses Stephane Peterhansel/Jean-Marc Cottret (BMW X3). Guilherme Spinelli e Youssef Haddad, com um Mitsubishi Racing Lancer, mantêm uma ótima oitava posição.
Entre os caminhões, o percurso cronometrado menor que o das demais categorias (os gigantes não conseguiriam passar por alguns trechos com mata espessa) não poupou o brasileiro André Azevedo de problemas mecânicos que o fizeram perder 38 minutos em relação ao líder, Vladmir Chagin, que ampliou para 58 o número de estágios vencidos por seu Kamaz, recorde na história da competição. Com isso, o Tatra verde e amarelo despencou da quarta para a oitava posição.