Um campo de terra, ferraduras e pinos feitos de pedaços de ferro já foram suficientes para o jogo da malha. O cenário estava às margens do Rio Tamanduateí, em São Paulo, em meados de 1890, quando trabalhadores paulistanos se reuniam ao entardecer para se divertir lançando objetos improvisados em direção a um alvo. Seria um indício, para a Federação Paulista de Malha (FPM), de que o esporte teria surgido em São Paulo. Há controvérsias. Outros relatos apontam França, Itália e Portugal (onde se chamava fito), séculos atrás, como o berço da modalidade. Há referências a 1490, mas a primeira documentação, francesa, é de 1644. Da Europa a prática do arremesso teria sido trazida ao Brasil por imigrantes.
A despeito da verdadeira origem, há uma história cercada por traços de simplicidade, o que, na vivência de Manoel Vilaça da Silva, de 55 anos, é traduzido pelos espaços de chão batido que existiram em Belo Horizonte. “No Alípio de Melo mesmo, havia um. Hoje o esporte é mais estruturado, com equipes, regras e equipamentos específicos”, explica o motorista e técnico do Centro Esportivo Recreativo Acácia (Cera), uma das duas equipes belo-horizontinas, com sede no Alípio de Melo.
Na disputa pelo segundo turno do Campeonato Regional de 2011, o Cera venceu o visitante Inhapinhense por 124 a 112 no primeiro jogo, e 122 a 62 no segundo, mostrando que a experiência do time pode fazer a diferença nos lançamentos certeiros. Com cerca de 10 cm de diâmetro e peso aproximado de 700 gramas, cada disco exige concentração e técnica de arremesso para alcançar o alvo, um pino de 18 cm. A pista tem cerca de 40 metros de extensão por 2 de largura. Não é fácil conseguir a façanha. “É preciso, no mínimo, seis meses de treinamento para aprender a lançar sem sair do traçado. Cada campo é diferente, o que dificulta o jogo para quem vem de fora”, ressalta o aposentado Marcos Aníbal de Oliveira, de 67, jogador do Cera.
HOMEM GRITO
Sócio do Cera, o contabilista José Mauro do Nascimento, de 60, é outro que não abre mão de provocar. “Se precisar de alguém para gritar, é comigo mesmo. Em 2004, até ganhei o título de torcedor mais chato em Ipatinga”, brinca. Também fã, o empresário Ronaldo Rabelo, de 50, lembra que já tentou jogar, mas chegou à conclusão de que não tinha coordenação motora suficiente. “O mais interessante no jogo da malha é dosar a força e mirar a trilha que vem pela frente. Tudo com um único objetivo: derrubar o pino.”
Mas nem tudo agrada aos praticantes da malha. Pouco divulgado, o esporte sofre com a falta de apoio financeiro. Para viajar em jogos fora de casa, o Inhapinhense conta com auxílio da prefeitura. O objetivo é transformar o clube numa equipe para jovens. “Falta mais interesse deles com o jogo. É difícil tirar a meninada de outras distrações”, lamenta o técnico, Mivaldo Barroso da Silva, de 60.
SAIBA MAIS
Em 12 lances
Uma partida conta com quatro jogadores por equipe, dois em cada cabeceira do campo, lado a lado do rival. Os dois primeiros participantes dispõem de dois discos para lançar, com o objetivo de derrubar o pino ou deixá-los o mais próximo possível dele, por meio de um sinuoso traçado de cimento. Quem ultrapassar a marcação de lançamento pode ser advertido ou perder ponto. São 12 lances por time, com quatro pontos para derrubada e dois para quem chegar mais perto do alvo. Vence quem pontuar mais.
DAQUI PARA O FUTURO
Estadual com quatro
As quatro melhores equipes, entre sete que participaram do Campeonato Regional de Malha de 2011, disputam o Campeonato Estadual. A competição será em 19 e 20 de novembro, no campo do Canaã, em Ipatinga (Região do Vale do Aço). Comercial do Barreiro, Usipa, Cera e Inhapinhense estão classificados. “Além disso, os jogos do estadual terão 10 lances, em vez de 12”, observa o presidente da Liga Estadual de Malha de Minas Gerais (LEMMG), José Paulino Silva.