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Prova de equilíbrio

Um disco, um pino para ser derrubado e técnicas de precisão em lançamento fazem da malha desafio à concentração. Problema a superar é a falta de tradição na modalidade

Bruno Freitas - Bruno Freitas

Publicação:

03/11/2011 09:00

 

Atualização:

03/11/2011 11:08

Um campo de terra, ferraduras e pinos feitos de pedaços de ferro já foram suficientes para o jogo da malha. O cenário estava às margens do Rio Tamanduateí, em São Paulo, em meados de 1890, quando trabalhadores paulistanos se reuniam ao entardecer para se divertir lançando objetos improvisados em direção a um alvo. Seria um indício, para a Federação Paulista de Malha (FPM), de que o esporte teria surgido em São Paulo. Há controvérsias. Outros relatos apontam França, Itália e Portugal (onde se chamava fito), séculos atrás, como o berço da modalidade. Há referências a 1490, mas a primeira documentação, francesa, é de 1644. Da Europa a prática do arremesso teria sido trazida ao Brasil por imigrantes.

A despeito da verdadeira origem, há uma história cercada por traços de simplicidade, o que, na vivência de Manoel Vilaça da Silva, de 55 anos, é traduzido pelos espaços de chão batido que existiram em Belo Horizonte. “No Alípio de Melo mesmo, havia um. Hoje o esporte é mais estruturado, com equipes, regras e equipamentos específicos”, explica o motorista e técnico do Centro Esportivo Recreativo Acácia (Cera), uma das duas equipes belo-horizontinas, com sede no Alípio de Melo.

Na disputa pelo segundo turno do Campeonato Regional de 2011, o Cera venceu o visitante Inhapinhense por 124 a 112 no primeiro jogo, e 122 a 62 no segundo, mostrando que a experiência do time pode fazer a diferença nos lançamentos certeiros. Com cerca de 10 cm de diâmetro e peso aproximado de 700 gramas, cada disco exige concentração e técnica de arremesso para alcançar o alvo, um pino de 18 cm. A pista tem cerca de 40 metros de extensão por 2 de largura. Não é fácil conseguir a façanha. “É preciso, no mínimo, seis meses de treinamento para aprender a lançar sem sair do traçado. Cada campo é diferente, o que dificulta o jogo para quem vem de fora”, ressalta o aposentado Marcos Aníbal de Oliveira, de 67, jogador do Cera.

No que depender do estudante Jaider da Silva Dias, de 13, apoio não falta ao aprendizado. Mais jovem jogador do Inhapinhense, ele foi incentivado pelo irmão, também do time, a aderir. Além disso, é apoiado pelos colegas. “Para mim, o jogo da malha é uma modalidade que testa paciência, concentração e ao mesmo tempo é um passatempo”, comenta. Assim como Jaider, Thiago Silva Carvalho, de 15, entrou no esporte ao assistir aos jogos em Inhapim (Região Leste de Minas). “Um dia, o técnico me chamou para participar”, conta o estudante, que também faz as vezes de torcedor na borda do campo, gritando para tentar desconcentrar os rivais. “É uma forma de pressionar e deixar o adversário nervoso”, afirma.

HOMEM GRITO

Sócio do Cera, o contabilista José Mauro do Nascimento, de 60, é outro que não abre mão de provocar. “Se precisar de alguém para gritar, é comigo mesmo. Em 2004, até ganhei o título de torcedor mais chato em Ipatinga”, brinca. Também fã, o empresário Ronaldo Rabelo, de 50, lembra que já tentou jogar, mas chegou à conclusão de que não tinha coordenação motora suficiente. “O mais interessante no jogo da malha é dosar a força e mirar a trilha que vem pela frente. Tudo com um único objetivo: derrubar o pino.”

Mas nem tudo agrada aos praticantes da malha. Pouco divulgado, o esporte sofre com a falta de apoio financeiro. Para viajar em jogos fora de casa, o Inhapinhense conta com auxílio da prefeitura. O objetivo é transformar o clube numa equipe para jovens. “Falta mais interesse deles com o jogo. É difícil tirar a meninada de outras distrações”, lamenta o técnico, Mivaldo Barroso da Silva, de 60.

SAIBA MAIS


Em 12 lances

Uma partida conta com quatro jogadores por equipe, dois em cada cabeceira do campo, lado a lado do rival. Os dois primeiros participantes dispõem de dois discos para lançar, com o objetivo de derrubar o pino ou deixá-los o mais próximo possível dele, por meio de um sinuoso traçado de cimento. Quem ultrapassar a marcação de lançamento pode ser advertido ou perder ponto. São 12 lances por time, com quatro pontos para derrubada e dois para quem chegar mais perto do alvo. Vence quem pontuar mais.

DAQUI PARA O FUTURO


Estadual com quatro

As quatro melhores equipes, entre sete que participaram do Campeonato Regional de Malha de 2011, disputam o Campeonato Estadual. A competição será em 19 e 20 de novembro, no campo do Canaã, em Ipatinga (Região do Vale do Aço). Comercial do Barreiro, Usipa, Cera e Inhapinhense estão classificados. “Além disso, os jogos do estadual terão 10 lances, em vez de 12”, observa o presidente da Liga Estadual de Malha de Minas Gerais (LEMMG), José Paulino Silva.

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