Ivan Drummond - Estado de Minas
01/02/2012 07:00
O vôlei vai, aos poucos, entrando para a galeria dos esportes com público cativo fora da capital mineira. Depois do boom em Montes Claros, no Norte de Minas, cujo ginásio, o Poliesportivo Tancredo Neves, chegou a receber 12 mil torcedores em partidas da Superliga Nacional Masculina de Vôlei 2009/2010, na temporada em que o Pequi Atômico foi vice-campeão brasileiro, agora Juiz de Fora, na Zona da Mata, dá show nas arquibancadas. Pela primeira vez com um time na principal competição do país, o UFJF, o público vem batendo recorde atrás de recorde e hoje deve garantir casa cheia contra o Cruzeiro, às 20h.
O clube começou a competição jogando no ginásio da Universidade Federal de Juiz de Fora, com capacidade para 800 pessoas. No entanto, a demanda crescente, com os ingressos se esgotando, levou a direção da universidade a trocar o local das partidas. A de hoje, por exemplo, será no Ginásio do Tupinambás Footbol Club, com 2 mil assentos. O sucesso levou a município a apressar as obras do Ginásio Municipal, que receberá 6 mil torcedores, possivelmente a partir de agosto.
Curiosamente, o time faz uma campanha mediana, com altos e baixos. Ocupa apenas o 11º lugar, penúltima colocação, com 10 pontos ganhos. Foram três vitórias e nove derrotas.
A torcida, também por isso, vem fascinando os jogadores. O meio de rede Jardel se revela maravilhado com o espetáculo fora de quadra. “É algo impressionante. A gente, quando começou a jogar no Mineiro, já tinha o ginásio cheio. Aí, veio a Superliga e começou a sobrar gente do lado de fora. Trocamos de ginásio e não adiantou, pois continua com muitos torcedores que não conseguem assistir aos jogos.”
A solução seria um novo ginásio, com capacidade maior. A ideia é passar os confrontos, provavelmente no segundo semestre, para o Ginásio Municipal, ainda em construção. A prefeitura vai apressar a conclusão das obras, que começaram em 2006.
Carlos Rios, o Carlão, presidente da Federação Mineira de Vôlei (FMV) tem planos imediatos para Juiz de Fora. “O projeto estava previsto para ser concluído em agosto. Já fizemos o pedido à CBCV para que dos jogos do Brasil na Liga Mundial, em 2013, pelo menos uma rodada seja nesse novo ginásio.”
O município pode ser considerado um celeiro do vôlei: os medalhistas olímpicos Giovane Gávio (dois ouros, Barcelona’92 e Atenas’2004), Márcia Fu (um bronze, Atlanta’96), Zé Eduardo e Guto (tricampeões nacionais pelo Minas (84/85/86) são da cidade.
Desafio O UFJF, o caçula da competição, precisa se desdobrar para poder chegar entre os oito classificados à próxima fase. Segundo cálculos do técnico Maurício Bara, a equipe teria a obrigação de vencer os jogos que fará em casa, a começar pelo adversário de hoje, o Cruzeiro – o quinto colocado, com 22 pontos, a seis do primeiro, o Vôlei Futuro, com 28.
O Cruzeiro é um dos favoritos ao título. O time começou a competição brigando nas posições de ponta, no entanto teve alguns tropeços que fizeram com que caísse na classificação, mas vem de duas vitórias seguidas, uma delas diante de um adversário também do pelotão de elite, o Sesi-SP.
UFJF: Brasília, Léo, Jardel, Folle, Digão, Clinty e Baroni (líbero). Técnico: Maurício Bara. Cruzeiro: William, Wallace, Acácio, Douglas Cordeiro, Maurício, Filipe e Serginho (líbero). Técnico: Marcelo Mendéz.
Duplo triunfo das mineiras
O Minas manteve a terceira colocação na Superliga Nacional Feminina de Vôlei ao derrotar o São Bernardo, ontem à noite, na Arena JK, por 3 a 0 (25/21, 25/15 e 25/22). Soma 28 pontos, mesmo total do Osasco, que bateu o São Caetano por 3 a 0 (25/18, 25/23 e 25/21). O time mineiro tem uma vitória a mais – 10 contra nove das paulistas.
Jogando fora de casa, o Praia voltou a tomar o sexto lugar do Mackenzie, ao vencer o Macaé-RJ, no interior do estado do Rio, por 3 a 2 (21/25, 25/21, 19/25, 25/22 e 15/9), e ser beneficiado pela derrota do time da capital por 3 a 0 (25/20, 25/14 e 25/15) para o Vôlei Futuro-SP, em Araçatuba. Praia e Mackenzie têm a mesma campanha (seis vitórias e seis derrotas). A equipe do Triângulo leva vantagem no saldo de sets, um a mais.
Nos outros jogos de ontem, o Rio de Janeiro venceu o Sesi-SP por 3 a 2 (19/25, 25/17, 19/25, 25/15 e 15/11), se mantendo na liderança, com 32 pontos. O Vôlei Futuro é o segundo, com 29. O Sesi segue em sexto, com 23. Completando a rodada, o Pinheiros-SP derrotou o Rio do Sul-SC por 3 a 2 (20/25, 25/23, 22/25, 25/23 e 15/11). O São Bernardo permanece na oitava colocação, com 12 pontos, vindo a seguir o Rio do Sul, com 9. Pinheiros e São Caetano, 8. O Macaé é o lanterna, com apenas 5.
Já a 2ª rodada do returno do torneio masculino terá, além de UFJF x Cruzeiro, Olympico x Minas. Esse confronto, porém, será longe do estado, em Londrina (PR), uma das sedes do Olympico, patrocinado pela prefeitura local. Para o Minas, o problema será o desgaste da viagem. O time saiu de BH de avião para São Paulo, onde a delegação teve de esperar por quatro horas a conexão final, enquanto o adversário já o aguardava em terras paranaenses.
O Montes Claros, que tenta entrar para o grupo dos oito que passarão às quartas de final, tem uma dura tarefa: pega o RJX, às 19h30, no Maracanãzinho. O jogo é uma luta direta pela oitava colocação, ocupada pelo time carioca, com 16 pontos. O Pequi Atômico vem logo atrás, com 15, em nono.
ADVERTÊNCIA As goteiras no Ginásio Tancredo Neves, em Montes Claros, que atrapalharam o jogo entre o time local e o Campinas, na segunda-feira, vencido pelo Pequi Atômico por 3 a 1, levaram a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) a notificar oficialmente o clube mineiro. É a segunda vez que isso ocorre. Em 17 de dezembro, no duelo contra o RJX, a partida teve de ser paralisada também devido a gotejamento da chuva. Na ocasião, houve advertência verbal. O confronto foi paralisado no começo do primeiro set, durante 20 minutos, e no meio do quarto set, por 40 minutos. Se a situação se repetir, haverá perda de mando de quadra.
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