Pouco a pouco eles vão chegando e ocupando seus lugares na pequena arquibancada, que fica no fundo da quadra. Primeiro foi a norte-americana Amy Amezaga, mulher do oposto e ponteiro cubano Sanchéz. Logo depois, a ex-jogadora Eni Tolentino, que por sinal é a recordista mundial de aces numa só partida, 15, num jogo do Campeonato Brasileiro de master, há alguns anos, em Fortaleza.
Em seguida chegam Erivaldo Borges e Marilda, os pais do ponteiro Maurício, em cujas mãos estão depositadas as esperanças dos torcedores, que não se esquecem da atuação do jogador na final do ano passado, quando o time celeste conquistou o título pela primeira vez, ao derrotar o Vôlei Futuro-SP, em São Bernardo do Campo, por 3 a 1.
Os jogadores estão apenas começando o treino. Estão “fazendo saque”, como se diz na gíria da quadra. Mas para quem está na arquibancada, já existe uma certa ansiedade. É como se o jogo já tivesse começado.
“Ai, meu Deus do céu”, diz Eni. Ela não perde um treino e lamenta o fato de a final não ser mineira. “Pela segunda vez bateu na trave. Faltou pouco para o Minas ser o adversário do Cruzeiro. A gente que vive o vôlei sonha, há muito tempo, com isso. Mas tem o Cruzeiro e confio nos meninos. Sei que eles não darão mais uma grande alegria no domingo. É um timaço. Vou junto. Não perco esse jogo por nada. Fui a São Bernardo no ano passado e quero ser pé- quente novamente.”
CONCENTRAÇÃO Erivaldo e Marilda contam que Maurício é muito tranquilo e que não se altera nos dias que antecedem a partida, nem quando o jogo começa. “Ele tem muita frieza e tranquilidade”, diz a mãe, que acha que a presença ao lado do filho ajuda a acalmá-lo. “A gente tem um papel a cumprir neste momento. Temos que deixá-lo tranquilo, se preocupando e se concentrando exclusivamente com a partida. Somos de Maceió, mas nesta época de decisão, sempre nos mudamos para cá. Queremos estar ao lado do Maurício. É importante”, conta Marilda, que também foi jogadora de vôlei e defendeu a Seleção Brasileira na década de 1980.
Erivaldo se preocupa mais em incentivar o filho e os demais jogadores. “Lá no Nordeste, a gente costuma dizer que na hora de decidir, tem-se que matar o jogo. É partir pra cima e resolver. Procuro, sempre, falar isso com o Maurício. Aliás, acho que nem preciso mais ficar falando. Dou outros conselhos, digo que a gente tem de estar sempre pronto para buscar o placar quando ele está adverso.”
Amy conta que a exemplo de Maurício, Sanchéz também é tranquilo. “Ele não se altera, não muda de humor e nem deixa de ser carinhoso. Também não fica falando sobre o jogo que está por vir. Talvez, dessa maneira, ele controle a ansiedade. Mas não é de ficar agitado ou nervoso.”
ESGOTADOS EM UMA HORA
Durou apenas uma hora a venda de ingressos para a final da Superliga Nacional Masculina de Vôlei, domingo, no Maracanãzinho, entre Cruzeiro e Rio de Janeiro. Uma reunião entre representantes da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) e o Corpo de Bombeiros da capital fluminense aumentou a carga de bilhetes, inicialmente prevista para 5 mil, para 11.700. Para que isso se tornasse possível, foi preciso um novo planejamento para o acesso de torcedores ao interior do ginásio, uma vez que o entorno do Maracanã está em obras de preparação do estádio para a Copa das Confederações e Copa do Mundo. Todo o acesso deverá ser feito por apenas dois portões, que serão definidos. Os ingressos ficaram assim distribuídos: cortesias para convidados (1.687), cortesia para os clubes (1.782), cortesia para patrocinadores (982), gratuidades para estudantes, professores e idosos (305), serviço de imprensa e suporte (561), Suderj (100). A carga de bilhetes vendidos foi de 5.417.
O ADVERSÁRIO
O principal desafio
Nos treinos que comandou desde o último fim de semana, o técnico do Rio, Marcelo Fronkowiack, deu maior ênfase ao saque. Segundo ele, quebrar o passe será fundamental para tentar derrotar o Cruzeiro, no domingo e conquistar o primeiro título da história do time. O treinador conhece bem o rival celeste, seu maior adversário nos tempos em que comandou o Minas, nas duas últimas temporadas. Nesse tempo, perdeu mais que venceu e não é exagero dizer que bater o time mineiro e conquistar o título é considerado, até mesmo pelo treinador ,o maior desafio de sua carreira, que começou no Rio Grande do Sul, dirigindo Bento Vôlei, indo depois para a França. Ele sonha com o segundo título como treinador (comandava a Ulbra em 2002), além de ter conseguido, como jogador, em 1995, pela extinta Frangosul-RS. O meio de rede Lucão, o oposto Theo e o ponteiro Thiago Alves são os mais exigidos pelo técnico nesse fundamento.