 | |
| Baixas arrecadações em marketing e programas de sócio-torcedor, além do público reduzido na Arena do Jacaré, influenciaram na queda de receita de Galo e Cruzeiro |
Unanimidade nas rodas de conversa do brasileiro, o futebol nunca rendeu tanto à imagem dos grandes clubes do país. Estudo realizado pela empresa especializada em consultoria BDO aponta que o valor das marcas dos 17 principais times do Brasil alcançou a cifra total de R$ 5,38 bilhões, 196% a mais do que em 2004 – ano que serviu de base para o início das análises.
Como em 2009, 2010 e 2011 (três primeiros anos em que a pesquisa foi feita), os clubes de maior torcida do país impulsionaram a valorização. O Corinthians manteve-se na ponta da evolução nos últimos oito anos, com R$ 720 milhões, número que desconsidera a conquista da inédita Copa Libertadores, uma vez que o balanço anual do Timão ainda não foi fechado. Em seguida aparecem Flamengo (R$ 469 milhões a mais que em 2004), São Paulo (R$ 431 mi), Internacional (R$ 311 mi), Palmeiras (R$ 273 mi), Grêmio (R$ 249 mi), Vasco (R$ 238 mi) e Santos (R$ 236 mi). Os oito times foram responsáveis por 82% dos R$ 3,56 bilhões de evolução das marcas desde a base da pesquisa.
Em nono e 10º lugar no ranking de 2012, respectivamente, Cruzeiro e Atlético só não aparecem mais bem posicionados por causa do volume de dinheiro arrecadado por meio dos programas sócio-torcedores e das receitas de marketing, muito menores se comparados aos dos concorrentes, sobretudo as equipes do eixo Rio-São Paulo. “Isso acaba impactando. O Inter, em quinto lugar, é um caso a parte porque é muito forte nesse sentido. Como as variáveis são divididas em três grandes grupos, teoricamente os gaúchos não deveriam estar tão distantes dos mineiros”, analisa o diretor da divisão de consultoria da BDO, Amir Somoggi, explicando que o estudo considerou 18 variáveis, entre dados financeiros, pesquisas e dados do torcedor e mercado local. “Só não incluímos a venda de jogadores porque é uma receita difícil de projetar e pode ser considerada como não operacional”, justifica.
CAMPO Boa parte do dinheiro do ranking atualizado, segundo Somoggi, veio do crescimento na arrecadação dos direitos de transmissão na TV. “Os valores referentes ao contrato até 2015 foram impactantes principalmente para os grandes clubes de Rio e São Paulo.” Ele comenta que os mineiros foram prejudicados por não contar com jogos no Independência (até abril) e no Mineirão. “Em Minas Gerais, o ponto negativo para os clubes foi jogar em estádios que não dão a mesma receita”, ressalta Somoggi, apontando que o Santos cresceu dois anos seguidos graças à ascensão de Neymar e aos jogos que mandou no Pacaembu.