FEDERAÇÃO MINEIRA DE FUTEBOL

Após cassação, Paulo Schettino consegue liminar e retorna à presidência da FMF

Ex-delegado geral da Polícia Civil de Minas Gerais volta a ocupar o cargo de mandatário na vaga do economista Fernando Machado Costa e a contadora Sarah Viviane dos Santos

postado em 16/05/2013 18:27 / atualizado em 16/05/2013 23:49

Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press
Durou pouco o mandato dos dois interventores que assumiram a presidência da Federação Mineira de Futebol na tarde desta quinta-feira. O economista Fernando Aurélio Machado Costa e a contadora Sarah Viviane dos Santos terão de deixar os cargos após o ex-delegado geral da Polícia Civil do Estado, Paulo Schettino, que havia sido afastado da presidência nessa quarta, conseguir recorrer da decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e retornar ao comando da entidade mineira.

“Como eu sempre disse, nós fazemos tudo dentro da lei. A Constituição do Brasil nos dá essa autonomia de fazer a assembleia e a assembleia é soberana em qualquer entidade particular. O desembargador Newton Teixeira Carvalho acabou de aceitar o nosso agravo e nós voltamos a ser presidente da Federação Mineira de Futebol”, disse Schettino, em entrevista à Rádio Itatiaia nesta quinta-feira.

Os interventores Fernando Machado e Sarah Viviane dos Santos assumiram a presidência da Federação Mineira por volta das 15h30 desta quinta-feira. A expecativa era a de que eles marcassem a data de uma nova eleição para as próximas semanas. Ambos chegaram ao prédio da entidade acompanhado por dois oficiais de justiça por volta das 15h30 desta quinta-feira. Porém, com a liminar obtida por Paulo Schettino, o mandato dos interinos durou menos de três horas. Assim, o ex-delegado da Polícia Civil retorna aos trabalhos nesta sexta-feira.

“Eu volto a ser presidente. Domingo estaremos premiando o campeão (do Mineiro) normalmente e as coisas se acertarão aos poucos. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais é respeitoso e eu tenho certeza que no final as coisas se desenrolarão da melhor maneira possível. Amanhã à tarde estarei acertando os detalhes do clássico”, garantiu Schettino.

A liminar perante a Justiça beneficiará, além de Schettino, todos os integrantes da diretoria da Federação Mineira, que também devem retornar aos seus trabalhos nesta sexta-feira.

Histórico do caso

O mandato de Paulo Schettino havia sido cassado no último dia 9 por meio da decisão do juiz a 13ª Câmara Civil do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Wauner Batista. O ex-delegado dirigia a Federação Mineira de Futebol beneficiado por uma liminar que já durava nove anos.

O problema começou em 2004, com o afastamento também por cassação do então presidente Elmer Guilherme, já falecido, depois de uma série de escândalos que envolveram, inclusive, desvio de dinheiro.

Schettino, então vice-presidente, foi empossado para cumprir o restante do mandato e se candidatou à reeleição, conseguindo seu intuito. Posteriormente, por meio de uma assembleia, o dirigente conseguiu prorrogar o seu mandato até julho de 2014, mês da Copa do Mundo.

O Ministério Público do Estado de Minas Gerais considerou ilegal a prorrogação do mandato de Paulo Schettino (encerrado em 2012) até o final de 2014, ano da Copa do Mundo no Brasil. Baseado nessa denúncia, a decisão inicial do juiz Wauner Batista solicitou o afastamento do presidente, posteriormente anulado nesta quinta-feira.

Em 2012, Schettino havia conseguido a prorrogação do mandato por mais dois anos graças à decisão de uma Assembleia Geral da qual participaram clubes – dentre eles América, Atlético e Cruzeiro -, ligas e clubes amadores.

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