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Rali agora tem três letras

Redação - Superesportes

Publicação:

02/02/2012 07:00

Três letras prometem finalmente fazer do rali no país um esporte à altura de sua tradição – na década de 1980, precursores como Paulo Lemos e Sady Bordin conseguiram resultados de destaque em etapas do Europeu e do Mundial e o Brasil chegou a receber, em duas edições, uma etapa do principal campeonato da modalidade no planeta.


Fruto do sonho do piloto e preparador paranaense Maurício Neves (que integrou o esquadrão oficial da VW no Dakar de 2010), do navegador e empresário Armando Miranda e com o aval da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), o Xtreme Rally Car (XRC) é a estrela de um plano para revitalizar as competições nacionais, com novos nomes para as diversas categorias, um calendário enxuto e o suporte de apoiadores capazes de diminuir os custos de participação.


A sigla esconde um carro que tem por base o monobloco de um modelo de circulação normal – o primeiro protótipo foi construído em torno de um Peugeot 207. O chassi, feito sob medida, foi projetado para suportar a potência de um motor V6 de 3.600cc movido a etanol, que, com preparação especial, chega a 330cv de potência. O câmbio é sequencial de cinco marchas, semelhante aos usados na Stock Car e a tração nas quatro rodas, uma novidade em se tratando de modelos nacionais. Mais largo e agressivo que o modelo original de que é derivado, o XRC chega para ser a F-1 do rali brasileiro, com desempenho à altura dos modelos S2000 e WRC que disputam os principais campeonatos pelo mundo.


“Conseguimos tornar realidade o objetivo de criar um carro pensado 100% para o rali, com mais de 75% dos componentes fabricados no Brasil, o que diminui os custos, especialmente de manutenção. A ideia é fazer vários testes e evoluções para torná-lo ainda mais rápido e confiável”, explica Maurício que, nos primeiros testes, teve a missão de mostrar o potencial do carro para pilotos e navegadores do passado e do presente, jornalistas e dirigentes em Curitiba – mesmo em seus primeiros quilômetros, a máquina reagiu exatamente como esperava o criador, devorando curvas e chegando sem dificuldades aos 180km/h (em trechos mais velozes pode passar dos 210km/h). Não faltaram elogios e expressões de admiração mesmo de quem está acostumado a lidar com tanta potência. Os XRC têm tudo para impressionar o público mineiro, já que Sete Lagoas deve ser o palco da penúltima etapa do Brasileiro, em setembro.
 
MUNDIAL O paranaense Lemos, várias vezes campeão brasileiro e sul-americano nos anos 1980 e 1990 embarca nos próximos dias para a Suécia, palco da segunda etapa do Mundial, onde espera receber o sinal verde para uma etapa do campeonato no Brasil. Ele já conta com apoio do governador Beto Richa (PSDB) e patrocinadores para transformar o tradicional Rali da Graciosa numa parada das estrelas do esporte. “Estou confiante. A prova existe há três décadas, está pronta, não é preciso inventar nada. Se nosso projeto for adiante, a última etapa do Brasileiro deste ano se transformará em um grande teste, um Pré-Mundial”, afirma.

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