As acusações de corrupção do último mês resultaram em pelo menos uma grande mudança na Fifa: as sedes das Copas do Mundo não serão mais escolhidas pelos 24 membros do Comitê Executivo, mas por todas as 208 federações nacionais. Sem informar a data exata, o presidente Joseph Blatter anunciou a novidade em um congresso realizado nesta quarta-feira, em Zurique (SUI). No mesmo evento, haverá eleições presidenciais. Candidato único, ele será reeleito para um quarto mandato.
"Eu quero dar mais poder às federações nacionais. No futuro, a Copa do Mundo será decidida no congresso da Fifa. O Comitê Executivo vai criar uma lista, mas não fará recomendações", revelou o suíço, no cargo desde 1998, quando foi o sucessor do brasileiro João Havelange.
"O barco da Fifa está navegando em águas turbulentas, mas ele deve ser posto no caminho certo. Eu sou o capitão do barco, então fazer isso é meu dever e responsabilidade. Serão feitas reformas, não apenas paliativas, mas radicais. Cometemos erros, fomos atingidos e eu, pessoalmente, fui estapeado. Não quero que isso aconteça novamente. Precisamos parar de uma vez todas essas críticas, alegações e insinuações", completou.
O ex-presidente da Associação de Futebol da Inglaterra, David Triesman, afirmou em uma audiência no parlamento britânico que alguns membros do Comitê Executivo pediram propina para apoiar a candidatura do país, entre eles o brasileiro Ricardo Teixeira.
Depois, o ex-presidente da Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf), Jack Warner, revelou um e-mail no qual o secretário-geral da entidade, Jerome Valcke, afirma que o catariano Mohamed Bin Hamman, homem forte da campanha vencedora do Catar à Copa de 2022, queria comprar a entidade como fez com o Mundial.
A Federação da Alemanha pediu que a Fifa reveja a escolha do país asiático como sede da Copa de 2022. O porta-voz foi o presidente Theo Zwanziger. Ele busca um assento no Comitê Executivo.
"Eu acho que há um nível significante de suspeita que não podemos ignorar. Não quero comentar sobre como ele será revisto até eu saber mais do assunto. Sou um forasteiro, não sou membro do Comitê Executivo", justificou.
Bin Hamman era candidato à presidência, mas desistiu após ser acusado de pagar U$ 40 mil a dirigentes da Concacaf em troca de votos nas eleições. A Inglaterra tentou adiar o pleito, mas sua proposta não foi aprovada.
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