Há quatro anos, o veterinário Fernando Pinto, especializado em odontologia equina, tinha dificuldade em encontrar clientes. Na época, visitou diversos haras oferecendo seus serviços e acabou recebendo de volta muitos ´nãos` e brincadeiras em tom irônico. ´Os proprietários diziam que mal cuidavam dos seus próprios dentes quando sentiam dor, quanto mais cuidar dos dentes dos cavalos.` A situação mudou.
A odontologia equina está sendo levada a séria em Pernambuco. Cada vez mais criadores, treinadores e proprietários de cavalos vêm despertando o interesse pela área e valorizando o tratamento e o exame dentário. Não é para menos. A odontologia equina é de suma importância e interfere na longevidade, qualidade de vida, condição física e desempenho atlético do animal.
´À medida que a criação de cavalos evolui, a competitividade aumenta. E os criadores sabem que são os pequenos detalhes que fazem a diferença. Um cavalo que não sente dor tem a sua performance potencializada`, afirmou Fernando Pinto. No âmbito esportivo, especificamente, a saúde oral tem relação direta com o desempenho do animal em competições, seja em provas de corrida, salto ou marcha.
Fernando explica: ´Em primeiro lugar, existe a questão nutricional. Uma mastigação correta ajuda a ter uma conversão alimentar melhor, um aproveitamento nutricional eficiente. Muitas vezes, um cavalo com dor de dente não mastiga da forma correta e, em alguns casos, evita até comer, já que mastigar 'causaria' dor.` Consequentemente, o animal tende a perder peso e a perder a sua condição física.
Outro ponto que Fernando destaca é em relação ao uso do freio ou bridão (acessório que se prende na boca do cavalo para controlá-lo melhor ). ´Às vezes, o cavaleiro quer direcionar o animal para um lado da pista e ele tem resistência para executar o movimento. E isso acontece por problemas odontológicos`, acrescentou. Quando o animal tem o costume de mascar o freio ou movimenta muita a cabeça após alguns comandos com as rédeas, é sinalde que ele está com problemas dentários.
O desgaste nos dentes é um processo normal e contínuo ao longo da vida do equino. O ideal é realizar exames odontológicos nos cavalos de seis em seis meses, e a idade indicada seria a partir dos 2 ou 3 anos, com animais em início de treinamento. Nada impede, porém, de realizar os exames com animais mais novos. Confira os principais sinais de problemas dentários nos cavalos:
Emagrecimento sem causa específica, onde o animal muitas vezes come bem, porém não ganha peso
Perda de alimentos pela boca
Resistência em executar alguns movimentos, mascar o freio ou animal que movimenta muito a cabeça após alguns comandos com as rédeas.
Perda de performance dificuldades em paradas, recuo ou viradas
Cólicas frequentes, presenças de grandes partículas de alimentos nas fezes.
Odor desagradável oriundo da boca ou narina Preço O valor de um tratamento dentário equino varia muito. Segundo Fernando Pinto, o procedimento mais simples pode custar a partir de R$ 250