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São Paulo se diz vítima política

Para Marco Aurélio Cunha, "infidelidade partidária" tricolor fez CBF trocar o Morumbi por abraço cego no Fielzão virtual

Felipe Seffrin - Correio Braziliense

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Publicação:

31/08/2010 09:00

São Paulo — O São Paulo recebeu a escolha do virtual estádio corintiano, em Itaquera, como sede da cidade na Copa 2014 com indignação. Depois de uma luta de quase três anos para adequar o Morumbi aos caprichos da Fifa sem sucesso, tendo cinco projetos vetados e um sexto sequer analisado (ler linha do tempo), o tricolor teve de engolir o fato de a CBF abraçar às cegas o novo estádio do Corinthians.

"Não precisa ser muito inteligente para entender que não tem nenhum recurso técnico envolvido nessa escolha, somente a vontade política. Nos fizeram assumir um projeto de R$ 630 milhões. O Corinthians apresenta um projeto de R$ 300 milhões do qual não se sabe nada e a CBF já diz que vai ser a abertura da Copa", detonou Marco Aurélio Cunha, supervisor de futebol do São Paulo.

"Fico triste pelo futebol brasileiro, pelo desmando. Não posso ficar descontente com o estádio em Itaquera ou onde quer que seja. Mas fico contra um processo de cartas marcadas. Autorizaram o estádio do Corinthians como sede da Copa sem nem verem o projeto", reclama Marco Aurélio, ressaltando que o São Paulo gastou tempo e dinheiro com a contratação do renomado arquiteto Ruy Ohtake e da consultoria alemã GPM em vão. "Isso mostra a clareza da decisão pessoal, de agradar os parceiros e em nenhum momento se basear em questões técnicas, com princípios. Foi 'não quero o Morumbi porque não quero, independentemente do que o São Paulo fizer'."

O dirigente evitou detalhes a respeito dos motivos pessoais que tiraram o Morumbi da Copa, mas deixa nas entrelinhas a certeza de que a decisão do clube em confrontar a soberania de Ricardo Teixeira no futebol brasileiro na eleição do Clube dos 13 pesou. "O São Paulo é um clube independente, que confronta a política de monopólios, que discute o sistema, os dogmas, que não quer deixar o futebol brasileiro ficar na mão de um grupo só", argumentou Marco Aurélio Cunha, sem se arrepender da posição tomada pelo presidente Juvenal Juvêncio. "Vamos pagar um preço muito caro, mas prefiro pagar esse preço a ser mais um vassalo dessa ordem", criticou, sem poupar os políticos paulistas. "A submissão dos nossos governantes, que se ajoelham quando deveriam impor, é impressionante."

Entenda o caso

» A rivalidade entre o presidente são-paulino, Juvenal Juvêncio, e o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, não é de hoje. Ela foi alimentada em 2008, quando o pupilo de Teixeira e presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo del Nero, denunciou uma suposta tentativa de suborno por parte do tricolor ao árbitro Wagner Tardelli, responsável pela partida entre Goiás e São Paulo, pela última rodada do Brasileirão, sem sequer buscar explicações do clube.

» O desafeto entre Juvêncio e Teixeira virou guerra declarada quando o presidente são-paulino fez campanha por Fábio Koff, sendo inclusive candidato a primeiro vice do ex-dirigente gremista, contra a candidatura de Kleber Leite, apoiado por Teixeira, no Clube dos 13.

» Contrariando as expectativas, a CBF anunciou o São Paulo como legítimo dono da Taça das Bolinhas, em uma polêmica que se arrastou por anos, deixando o Flamengo de lado. À época, especulou-se que esse poderia ser um prêmio de consolação, antecipando uma futura exclusão do Morumbi da Copa 2014, que agora se confirma.

Reforma não será arquivada

» Apesar de ficar fora da Copa do Mundo, o São Paulo planeja seguir normalmente com as obras de modernização do estádio. Cerca de R$ 20 milhões já foram gastos desde o ano passado, em pequenas obras de saneamento, reestruturação de camarotes, vestiários e setor de imprensa, além da inauguração de restaurantes. O clube conta com o apoio financeiro de parceiros como a Visa, que é patrocinadora da Copa 2014, e da Nestlé, parceira da Seleção Brasileira. No entanto, as obras viárias que estavam previstas em torno do estádio, de responsabilidade da Prefeitura, serão revistas.

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