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Tempo de trombadas em Sobradinho

Os brasilienses dos Tubarões do Cerrado recebem os paulistas do Corinthians Steamrollers, hoje, no Estádio Augustinho Lima, na abertura da Liga Brasileira do esporte ianque

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31/07/2010 17:52

Vencendo dificuldades para bancar equipamentos, treinos e viagens, o Tubarões do Cerrado estreia, hoje, às 16h, no Estádio Augustinho Lima, em Sobradinho, na primeira edição da Liga Brasileira de Futebol Americano (LBFA). Logo no primeiro jogo, o time de Brasília terá pela frente um dos favoritos ao título, o Corinthians Steamrollers, de São Paulo. Achou o nome conhecido? Pois é ele mesmo. O time adversário dos candangos tem uma parceria com o clube paulista, do qual recebe todo o apoio e a estrutura necessária. Mas isso não é regra na modalidade no Brasil.

Apesar do status de esporte amador no país, o futebol americano está ganhando espaço. Com a criação da LBFA, que juntará 14 times do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a modalidade passa a ganhar mais visibilidade nacional. “Esperamos que, com a Liga, a mídia dê mais espaço para o nosso esporte. Assim, poderemos ganhar mais torcida, apoio e estrutura”, sonha o presidente dos Tubarões, Tiago Flecha, que atua como linebacker na equipe.

Além da popularidade e do profissionalismo, há outras diferenças do jogo praticado no Brasil em relação aos Estados Unidos. “Aqui, a partida é muito mais corrida do que nos EUA. Ou seja, no Brasil, o atacante pega a bola e tenta correr para avançar. Nos EUA, os jogos se concentram mais em longos passes, mas isso exige muita técnica e muito treino”, conta Pedro Yoshida, capitão do time de defesa dos Tubarões.

Sonho de profissionalismo
Com mais de 60 jogadores no elenco, os Tubarões do Cerrado ainda são totalmente amadores. Cada atleta tem de bancar os próprios uniformes e equipamentos — mais de R$ 1.000 para cada um. Nos treinos, que acontecem três vezes na semana, nem metade do grupo aparece regularmente. “Sempre aparece um compromisso, uma festa e muitos deixam de vir. Quero profissionalizar mais a equipe, não a ponto de ganharmos dinheiro, mas, pelo menos, aumentar o comprometimento do grupo e a estrutura do time”, promete o presidente Flecha.

Para manter a forma e o preparo físico dos atletas, cada um precisa se cuidar por conta própria. “Tem que puxar ferro na academia todo dia, malhar pesado mesmo, tomar suplemento e comer direito, para manter a massa muscular. Muitos fazem isso, mas alguns não”, repreende o diretor de esportes do time, Felipe Vargas, o Vargão, que, além de tight end, também é o técnico da equipe, por já ter jogado na segunda divisão da liga norte-americana profissional. “Não posso cobrar deles, porque eles não são pagos para jogar, mas há muito descaso no time”, lamenta Vargão.

Já o Corinthians Steamrollers tem uma estrutura bem mais favorável. Devido ao apoio do clube paulista, o time de futebol americano tem apoio nos equipamentos de treino, uniformes e nas despesas de campeonato. “Diferentemente de nós, eles não precisam se preocupar com mais nada, só chegar e jogar”, compara Tiago Flecha. O Timão já chegou até a cooptar dois jogadores, um deles ex-Tubarões. “Eles chamaram o Diego Fernandes, center, que jogava com a gente, para jogar lá. Ele treina aqui e viaja para lá alguns fins de semana”, conta Vargão.

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