Que diabo é aquilo que vem ali? Houve quem perguntasse com tal espanto ontem de manhã, na beira do Lago Paranoá, ao avistar uma turma de pé, deslizando no espelho d´água, e se deslocando rapidamente às remadas. Pois era a turma do stand up paddle que disputava a 2ª Mormaii SUP Race. O curioso esporte emulador dos primórdios da navegação humana vem ganhando espaço no Brasil desde que apareceu no Havaí, há alguns anos.
O empresário Rafael Tavares, 32 anos, divide seu tempo entre Rio de Janeiro e Brasília. Quando não está atribulado com reuniões e negócios, ele corre para não perder a oportunidade de participar dos eventos de stand up paddle. “Como aqui em Brasília não dá para surfar, nós tentamos adaptar nossa paixão pelo esporte da melhor forma possível”, revela. Ele, que vai competir em outra prova da modalidade no próximo dia 13, em Florianópolis, revela que a competição daqui é mais difícil. “Lá é mais disputado, há mais participantes. Mas é mais fácil de navegar que em Brasília.”
Na metade da prova, uma chuva forte atrapalhou os atletas, mas não chegou a interferir no desempenho esperado. A água que caiu serviu mesmo para aflorar a paixão por esportes aquáticos de praticantes de outras modalidades. Caso de Marcello Morrone, líder do ranking nacional de windsurf, que disputou a prova e venceu na categoria até 12 pés. “Pratico o SUP porque é uma maneira de me manter na água quando não há vento suficiente para o windsurf. O preparo físico aqui é muito importante”, destaca.
André Romão, um dos organizadores da prova, acredita que os brasilienses não exploram toda a capacidade oferecida pelo Lago Paranoá. “A gente precisa parar de reclamar que não tem onde praticar alguns esportes. Não temos uma praia, mas temos um lago belíssimo, limpo, mas que ninguém aproveita direito”, opina.
O professor de canoagem Flávio Paschoal destaca que um dos benefícios do stand up paddle é você ter um contato maior com o Lago Paranoá. E ele faz uma analogia muito interessante. “Quando estamos de carro ou moto, nós praticamente não vemos a cidade. Vemos um pouco quando estamos de bicicleta, mas só conhecemos mesmo andando a pé. O stand up paddle é uma das formas mais legais de você conhecer o lago.” Paschoal também destaca a importância da modalidade nas atividades cotidianas. “O equilíbrio proporcionado pelo SUP auxilia nas atividades funcionais, além do fortalecimento muscular, que é grande também”, afirma.
Muito suor
O trajeto da prova conteve 12km de remo. O pelotão largou do Pontão do Lago Sul, partiu lago acima até a Ponte JK onde deu a volta na boia e voltou ao Pontão para a chegada.
Pódio
Vencedores da 2ª Mormaii Stand Up Paddle Race
Categoria masculino – pranchas até 15 pés (4,5 metros)
1. Sávio Pacheco - 1h24m8s
2. Armando Cirillo - 1h25m26s
3. Rafael Maia - 1h41m50s
Categoria masculino – pranchas até 12 pés (3,6 metros)
1. Marcello Morrone - 1h32m04s
2. Rubens Ornelas - 1h35m28s
3. Cristiano Monge - 1h38m25s
Categoria Feminino – todas as pranchas
1. Patrícia Nascimento - 1h48m58s
2. Sílvia Bervowski - 2h2m45s
3. Adriana Morato - 2h18m5s