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Kyra Gracie busca mais um título mundial para o renomado clã de lutadores

Única competidora da família Gracie, busca neste fim de semana, em Los Angeles, mais um título mundial de jiu-jítsu

Mariana de Paula - Especial para o Correio

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Publicação:

03/06/2011 08:45

 

Atualização:

03/06/2011 09:51

Arquivo Pessoal/Divulgação
"Foi por vontade própria que decidi lutar. A família não incentivava as mulheres. Fico feliz em ter conseguido o meu espaço e hoje servir de exemplo"
Kyra Gracie, lutadora de jiu-jítsu
Quem acompanha o mundo da luta com certeza já ouviu falar do sobrenome Gracie. A família paraense, radicada no Rio de Janeiro, é a precursora do jiu-jítsu como é conhecido e praticado atualmente em todo o mundo. Os patriarcas, Carlos Gracie e Hélio Gracie, começaram a saga no esporte em 1914 e, aos poucos, aperfeiçoaram as técnicas da luta. Eles conseguiram provar que, usando determinados métodos, qualquer lutador poderia vencer, sem importar o tipo físico do adversário.

Os Gracie até hoje são um dos nomes mais tradicionais do esporte. Ao todo, 47 lutadores faixa preta representam a família. Em meio a tantos grandes competidores, despontou uma mulher: Kyra Gracie. A lutadora é a única representante feminina do clã a se tornar profissional e faixa preta. Até o próximo domingo, ela encara mais um desafio: conseguir o pentacampeonato na categoria leve e o bi na categoria absoluto, no Mundial de Jiu-Jitsu, em Los Angeles. Kyra venceu a competição em 2004, 2006, 2008 e 2010. Além disso, ganhou o Abu Dhabi Combat Club (ADCC) World Submission Fighting, em 2005 e 2007. No Campeonato Europeu deste ano, ela ficou com o segundo lugar.

 

O início
Kyra Gracie não sabe ao certo quando começou a lutar jiu-jítsu, já que desde pequena já tinha um “quimoninho”. A brincadeira preferida na infância era lutar com os primos no tatame. Aos 11 anos, começou a treinar sério e, três anos mais tarde, ingressou no mundo das competições. Quando completou 15, pediu ao avô, Robson Gracie, que a inscrevesse no Campeonato Estadual do Rio de Janeiro. Ele a colocou nas categorias peso médio, 19kg a mais que o pluma, em que Kyra competia, e absoluto, na qual todas as competidoras podem participar. Ela lembra que ficou nervosa, mas não desanimou: “Esse campeonato me marcou, pois me deu muita confiança para os próximos”.

Treinos para o Mundial
Kyra promete não fazer feio no Mundial. Ela treina de seis a oito horas por dia na academia Renzo Gracie, em Nova York, onde mora. Além disso, faz musculação três vezes por semana. O maior desafio serão as adversárias brasileiras: “Elas são as mais habilidosas”. Além das colegas, Kyra terá que ultrapassar outras barreiras: a pressão pelo sobrenome Gracie e por ser a atual campeã. “Treinei muito para ganhar e manter a posição”, afirma.

Luta contra o preconceito
Apesar de vir de uma família tradicional no esporte, Kyra confessa que sofreu discriminação. “Foi por vontade própria que decidi lutar. A família não incentivava as mulheres”, desabafa. Kyra, no entanto, não pôde negar o sangue dos Gracie. Aos poucos, foi percebendo que a luta era o objetivo de vida: “Fico feliz em ter conseguido o meu espaço e hoje servir de exemplo para as próximas gerações”.

Atleta revelação
Kyra foi a atleta mais jovem a ganhar o Mundial sem Quimonos, da ADCC, aos 19 anos. Em uma década e meia de dedicação ao jiu-jítsu, ela jamais perdeu uma luta para adversárias com a mesma faixa que ela. Apenas duas vezes foi derrotada por uma competidora da mesma categoria.

MMA
Foi a família de Kyra que criou o Ultimate Fighting Championship – UFC. O objetivo era provar que a metodologia criada pelos Gracies era mais completa que todas as lutas. Assim, lutadores de todas as modalidades poderiam se enfrentar. Aos poucos, a competição foi se aperfeiçoando e se transformou em um campeonato de Artes Marciais Mistas (MMA). Kyra, por enquanto, só luta jiu-jítsu, mas deixa as portas abertas ao MMA: “Quem sabe? Ainda não sei, mas vamos ver o que acontece no futuro.”

Salão de beleza
O estereótipo de uma lutadora não tem nada a ver com Kyra Gracie. Ela conta que as pessoas se espantam com a sua feminilidade. “Adoro um salão de beleza. Sempre que posso, estou lá”, admite. Ela já foi convidada para ser modelo e atriz, mas preferiu o jiu-jítsu.
 
Fora do tatame
A agenda apertada por conta dos treinos e das competições não impede Kyra de dar um jeitinho para fazer outras coisas que aprecia. “Gosto muito de ficar com a minha família, ir à praia e praticar kitesurf”, conta. Para ela, namorar sempre foi um problema. O nome Gracie logo remete aos tios, famosos lutadores de jiu-jitsu, assustando os pretendentes. 

 

Quem é ela
Nome: Kyra Gracie Guimarães
Nascimento: 29/5/1985
Local: Rio de Janeiro (RJ)
Peso: 57kg
Altura: 1,69m
Categoria: leve
Principais títulos:
tetracampeã mundial na categoria
leve (2004, 2006, 2008 e 2010);
campeã mundial na categoria
absoluto (2008); vice-campeã
europeia na categoria pena (2011); hexacampeã brasileira
(1998-2001, 2005 e 2008)

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