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Vitória de Anderson Silva sobre Yushin Okami empolgou o público brasileiro

Roberto Wagner - Correio Braziliense

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Publicação:

29/08/2011 08:36

Rio de Janeiro — No sentido literal da palavra, o campeão é aquele cavaleiro que lutava em campo delimitado, fechado, em defesa de uma causa ou pela honra de alguém. No sábado, na HSBC Arena, 14 brasileiros adentraram o octógono do Ultimate Fighting Championship (UFC) Rio afim de representar exatamente esse espírito. E o patriotismo dos lutadores de MMA (mixed martial arts, em inglês) falou mais alto nas 12 lutas que tiveram 10 vitórias de atletas tupiniquins.

 Mesmo fora de combate no evento que mexeu com o país, vários representantes brasileiros se emocionaram. O peso pesado Junior Cigano, por exemplo, não se conteve com o nocaute de Rodrigo Minotauro e prometeu: “Estou na minha hora, chegou o meu momento. Tenho certeza de que vou trazer esse cinturão para o Brasil”, assegurou, referindo-se ao confronto marcado para 19 de novembro, contra o americano de ascendência mexicana Cain Velazquez, campeão entre os pesados.

Na última luta de Cigano, ele venceu por pontos Shane Carwin, no combate que decidiria o adversário do detentor do cinturão da categoria. Quem também não conteve o sentimento canarinho após o evento no Rio de Janeiro foi o brasiliense Paulo Thiago. Um dos mais assediados depois do triunfo sobre o americano David Mitchell, ele evitou falar sobre uma disputa pelo cinturão. “Eu realmente não sei o que o UFC reserva para mim. Mas estou muito feliz e não escolho adversário. Sei que missão dada é missão cumprida”, disse o oficial do Bope (Batalhão de Operações Especiais).

Responsável por derrotar nada menos que o ex-campeão dos meio-pesados Forest Griffin, o curitibano Maurício Shogun colocou a defesa das cores brasileiras como uma de suas maiores motivações para continuar a lutar. Aos gritos de “o campeão voltou”, ele se emocionou ao comemorar o triunfo sobre o americano. “Eu luto pela minha família, pelos meus amigos e principalmente pelo meu país. Hoje (ontem), fiquei arrepiado. Esperava uma festa grande, mas não como essa.”

O próprio presidente do UFC, Dana White, exaltou o espírito brasileiro de torcer. “Eu acompanho sempre os eventos. Mas, sem dúvida, o público brasileiro é o mais barulhento”, apontou Dana.

Fala sério

Embora tenha aprovado o evento no Brasil e reforçado a promessa de retornar ao país com o UFC, o presidente Dana White atentou para um fato lamentável. “Após a luta do Minotauro, acabaram atirando uma revista perto do octógono. Também jogaram um copo de cerveja na área de imprensa e isso sempre preocupa”, declarou o presidente do UFC.

 

Saiba mais
Próximas paradas
Depois do sucesso no Brasil, o UFC volta aos Estados Unidos. O próximo evento é o UFC Fight Night Live, em 17 de setembro, em Nova Orleans. A principal luta da noite será entre Jake Shields e Jake Ellenberger, pela categoria meio-médio. Na sequência, o evento tem outra disputa de cinturão. Em 24 de setembro, em Denver, o campeão dos meio-pesados, Jon Jones, que tirou o cinturão do brasileiro Maurício Shogun este ano, defende seu título pela primeira vez, contra o compatriota Quinton Rampage Jackson.

 

"Goleada" verde e amarela

 

O UFC Rio foi um duelo entre Brasil e o resto do mundo. Dos 12 combates, oito foram entre atletas brasileiros e estrangeiros. Melhor para os atletas da casa, que saíram vitoriosos em sete deles. O único que não conseguiu o triunfo foi Luiz Cane, nocauteado pelo búlgaro Stanislav Nedkov ainda no primeiro round. Fora isso, a torcida carioca fez a festa com o sucesso dos compatriotas no octógono.

Quem abriu o “placar” para o país foi o brasiliense Paulo Thiago. Ele venceu o norte-americano David Mitchell por decisão unânime dos juízes. O candango ainda protagonizou um dos momentos mais marcantes da noite. Ao som da música Tropa de Elite, da banda Tihuana, o soldado do Bope entrou no octógono e levantou as mais de 14 mil pessoas na HSBC Arena.

No card principal, o momento mais marcantes foi com a vitória de Rodrigo Minotauro. Cotado como azarão, ele nocauteou o norte-americano Brendan Schaub ainda no primeiro round e agradeu emocionado ao público presente. A lenda viva do MMA vinha de sérias lesões no joelho e e no quadril, mas provou que ainda pode derrubar os melhores entre os pesados.

Para fechar a noite, Maurício Shogun também nocauteou o norte-americano Forrest Griffin no primeiro round, voltando a ser cotado para disputar o cinturão dos meio-pesados, que já pertenceu a ele este ano. Com a chamada chave de ouro, Anderson Silva fez o que quis com o japonês Yushin Okami e também levou o rival a nocaute, mas no segundo round.Em discurso para o público, o Spider encerrou a noite brasileira com mais uma referência ao Bope: “Senhores, nunca serão. Jamais serão”.

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