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Patins usados no Mundial de Patinação Artística custam em média R$ 4 mil

Para demonstrar graça e leveza, atletas do Mundial contam com equipamentos que são, em média, 20% mais caros no Brasil que na Europa. Com os impostos de importação, patins tops de linha chegam a R$ 4 mil

Ana Cláudia Felizola - Correio Braziliense

Publicação:

23/11/2011 08:39

 

Atualização:

23/11/2011 08:42

Muita gente pensa que a patinação artística não vai muito além de uma espécie de balé sobre rodas, em que a prioridade são graça e leveza durante a dança. No entanto, em uma competição, conta mais a técnica apurada na execução dos complexos movimentos. E, para isso, é necessário ter mais do que o próprio corpo como aliado. Nos pés, verdadeiras ferramentas tecnológicas contribuem bastante para o que será apresentado na pista.

“O equipamento responde por grande parte da performance do atleta. Claro que o mérito é do patinador, mas, quando a pessoa vai se especializando, é fundamental que tenha um material de qualidade”, explica Ricardo Fulop, revendedor brasileiro, há 17 anos, das mais conceituadas marcas internacionais.

Os melhores patins são leves e proporcionam agilidade. Claro que tudo isso tem um custo — e alto. Atletas de ponta, como os vários que competem no Mundial deste ano, no Nilson Nelson, usam equipamentos que chegam a custar quase R$ 4 mil, bem acima dos R$ 438 à venda para iniciantes na modalidade.

O preço brasileiro é muito salgado, cerca de 20% a mais do que o praticado, por exemplo, na Europa. “Devido aos impostos de importação do Brasil, esse produto fica como um dos mais caros do mundo”, conta Ricardo Fulop, acrescentando que, aqui, curiosamente, os patins são taxados na categoria de brinquedos e não de material esportivo. Com os preços, o vendedor pondera que, para ele, campeonatos mundiais acabam não sendo tão lucrativos. “Quase não vendo para estrangeiros, porque eles olham o valor e acabam comprando nos países deles”, comenta.

Em compensação, para quem vem de fora, comercializar os equipamentos em eventos continua sendo a melhor estratégia de vendas. “Como somos de uma indústria menor que a de outros esportes, nosso meio de propaganda é seguir o calendário de competições, desde as regionais até as mundiais”, argumenta Nicoletta Paier, gerente comercial da marca italiana Risport, no mercado há 30 anos. É na região do Vêneto, segundo ela, que se concentram as indústrias atacadistas de calçados esportivos.

O Brasil também tem sido um mercado atrativo para vendedores de várias nacionalidades. “Como a patinação tem crescido bastante aqui, outras marcas estão olhando para cá com interesse, até porque o país tem tido mais visibilidade a partir dos nossos atletas que já subiram ao pódio e do maior volume de patinadores que temos hoje”, analisa Ricardo Fulop.

 

Benefícios
Se o aspecto financeiro pesa, Ricardo Fulop aponta as vantagens de se adquirir
o equipamento em solo nacional. “Podemos prestar assistência técnica,
inclusive durante as competições, além de dividirmos o valor em até cinco vezes, enquanto no exterior é preciso pagar à vista”, argumenta. 

 

Preços salgados
Confira os itens mais caros*
Base Matrix: R$ 2.340
Bota Edea Fly: R$ 1.280
Freios Super Jump: R$ 75
Rodas Roll Line Grease: R$ 320
Rolamentos Bones Ceramics: R$ 640

*Com base na tabela deste mês da revendedora Patins Fulop

Programe-se
56º Campeonato Mundial de Patinação Artística
Local: Ginásio Nilson Nelson
Hoje:
7h15 – Figuras Obrigatórias
15h45 – continuação de Figuras Obrigatórias
19h45 – Duplas de Dança
22h30 – Duplas de Levantamento (programa curto)
Entrada franca

Brasileiros na expectativa
Ontem à tarde, os brasileiros Marcel Stürmer, Gustavo Casado e César Motta fizeram mais um treino na pista do Nilson Nelson. Os representantes do país na categoria livre masculino tiveram falhas durante a execução das coreografias com música, mas mantêm a expectativa de uma boa estreia na sexta-feira, às 20h. “Vou tentar fazer o meu melhor. Treinei durante dois meses na Itália antes de vir”, conta o santista Gustavo. Entre os principais adversários dos patinadores estão os italianos Dario Betti, Andrea Aracu e Marco Santucci, além do argentino Carlos Urquia, que já faturou o ouro na modalidade Inline deste Mundial.

 

Produto nacional é mais barato 

Nem as marcas estrangeiras nem a brasileira Indústria de Patins Rye divulgam suas movimentações financeiras. Ainda assim, a proprietária da empresa gaúcha, Valeska Fasolo, diz que o esporte traz seus lucros. “É um mercado muito rentável, porque a patinação é muito forte no Brasil, principalmente na Região Sul. E ali também estamos encostados com a Argentina e o Uruguai”, argumenta, contando que a marca teve início, há 35 anos, com vendas sobretudo para o exterior.

Segundo ela, o brasileiro costuma ter mais dúvidas sobre o que é fabricado dentro de casa. “Quando o produto é nacional, você tem de provar que é bom, enquanto o importado não precisa disso”, lamenta. “Mas nós provamos com os atletas que usam e que estão entre os melhores do país. Estamos criando uma nova mentalidade”, acredita. Ela já exporta os equipamentos para continentes como Europa e África, além das Américas. Aqui, eles saem bem mais baratos do que os importados, com valores finais de R$ 344 a R$ 2.900.

 

Além das rodinhas
As vendas no universo da patinação artística não se restringem aos patins. Além das roupas usadas em competições, que podem chegar à casa dos R$ 800, as marcas aproveitam para comercializar itens como meias-calças, bolsas de patins e de rodas, brincos e colares com pingentes de patins, chaveiros e até capas de celular.

 

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