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| Em 2011, a queniana Nelly Jepkurui venceu o Circuito de Corridas, em Brasília |
Famosa por se confundir com uma festa, já que diversos participantes caminham e fazem brincadeiras ao longo do percurso, a Corrida de Reis também atrai os corredores de elite. Amanhã, nomes como Domingos da Silva, Lucélia Peres e Cruz Nonata darão maior prestígio à tradicional competição de janeiro, com um objetivo maior do que apenas celebrar a cidade. Às 19h, eles largarão do Ginásio Nilson Nelson, visando superar um fantasma nacionalmente conhecido: os atletas do Quênia.
Apesar de ainda virem para Brasília em número bem menor se comparado à corrida de São Silvestre — são três competidores nesta 42ª edição da prova candanga —, os quenianos já se tornaram presenças certas no DF e, aos poucos, mostram que o trajeto ao redor dos monumentos da capital do país combina bem com a especialidade dos fundistas. No ano passado, a vitória ganhou cores da bandeira africana nas duas categorias, feminina e masculina. Em 2010, uma africana também venceu.
Estreante na Corrida de Reis, o trio queniano deste ano — formado por Joseph Aperumoi, Nelly Jepkurui e Rumokol Elizabeh — está acostumado com outras competições de Brasília, como a Maratona de Revezamento, e também com o clima brasileiro, já que os atletas passam por uma temporada em Campos do Jordão, no interior de São Paulo, há quatro meses. Os treinos no país têm rendido bons resultados: dois dos corredores africanos chegaram na frente na Corrida da Longevidade, realizada no último dia 13, em Recife. Mas, segundo dizem, o estilo da prova de Brasília lhes agrada ainda mais “É um percurso com bastante subida e descida, que é a principal especialidade dos quenianos”, pontua Valdenir Gomes, coordenador técnico da equipe africana.
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A presença dos estrangeiros, no entanto, não intimida a corredora Cruz Nonata, 37 anos. Melhor brasileira na São Silvestre do ano passado — em sexto lugar — e vice-campeã nos 5km e 10km nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara , a piauiense de Teresina está em ótima fase e diz que treinou pesado para conseguir um bom resultado na primeira competição do ano. “A presença dos africanos é algo positivo. As quenianas procuram provas fortes e elevam o nível das competições”, diz. Cruz Nonata reconhece, no entanto, a superioridade das principais adversárias. “Mas nós sempre temos que ter pensamento positivo e acreditar no nosso esforço”, diz.
Recorde de corredoresNesta edição, a Corrida de Reis atingiu recorde de inscrições em um período surpreendente para a organização. Em menos de 20 dias, seis mil corredores garantiram presença em uma das mais tradicionais provas da cidade. Os participantes têm até hoje para buscar o kit, que será entregue das 10h às 20h na tribuna de honra do Ginásio Nilson Nelson. Quem ficou de fora, pode aproveitar a festa torcendo pelos atletas ou correndo com a pipoca. Serão dois percursos, de 6km e 10km, com largada e chegada no ginásio, passando pelos principais monumentos da cidade.
MemóriaEx-zagueira do futebolCruz Nonata, 37 anos, começou a correr relativamente tarde. A então zagueira de um time de futebol de Teresina (PI) foi incentivada pelo irmão, o corredor Domingos da Silva, e arriscou os primeiros trotes aos 30 anos. Quinze dias após o início dos treinos, Domingos a inscreveu em uma competição e, para a surpresa de todos, Cruz Nonata saiu vitoriosa. “Nem sabia o que era correr, mas dei o máximo de mim. Gostei de verdade do esporte e não parei mais”, lembra. Que a história sirva de inspiração para os atletas iniciantes da Corrida de Reis.