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| O estado precário do ginásio do Centro Olímpico da UnB: equipes de futsal, vôlei, basquete e handebol sem lugar para treinar |
A pouco mais de um mês das seletivas dos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs), os times de esportes coletivos da Universidade de Brasília (UnB) não têm onde treinar. O ginásio do Centro Olímpico (CO) está interditado desde 3 de janeiro para reparos no piso, o que prejudica as equipes femininas e masculinas de futsal, vôlei, basquete e handebol da instituição.
O piso do ginásio, feito de borracha, foi retalhado em vários pontos das quadras para a reforma, deixando buracos que variam de 10 a 30 centímetros de comprimento. Os operários vão preencher as falhas com um tipo de material emborrachado, similar ao utilizado anteriormente. Além disso, os buracos onde eram sustentados os postes para a prática de vôlei foram quebrados para recolocação do concreto. A última parte das obras será repintar as quadras.
O problema é que esses reparos só começaram a ser feitos em 17 de janeiro, duas semanas após a interdição. Além do atraso inicial, as obras foram paralisadas durante a terceira semana do mês por falta de material. Segundo a direção do CO, os materiais foram comprados na última sexta-feira e a Prefeitura do Câmpus, que havia iniciado as obras, já retomou o trabalho. A última estimativa é de que, em duas semanas, todo o piso do ginásio seja reparado.
A UnB justifica o período escolhido para a reforma alegando que só pode realizar obras no local no início do ano, durante o período de férias. “A situação do ginásio era muito precária”, explica André Reis, diretor do CO. As quadras do ginásio, durante o período letivo, são usadas por mais de 300 alunos diariamente. “Sou gestor de um espaço que é de toda a comunidade acadêmica. Se eu não parar agora, não tem como dar início às aulas do próximo semestre”, diz.
A Associação Atlética Acadêmica da UnB (AAAUnB), que representa os atletas da instituição, pede agilidade nos reparos. “Já perdemos quatro semanas de treinamento”, reclama Gabriel Serra, coordenador-geral da entidade e preparador físico das equipes de vôlei. Segundo ele, o prazo já havia sido definido em uma reunião entre a Associação, a Prefeitura do Câmpus e a direção do CO, em 6 de janeiro. “Eles haviam prometido que, em uma semana, tudo estaria arrumado, que a gente já poderia voltar a treinar no primeiro dia útil seguinte, no caso, 16 de janeiro”, relata.
Enquanto não têm um local apropriado para treinar para a seletiva dos JUBs, os atletas correm atrás de parcerias com clubes da cidade para tirar o atraso em relação aos rivais. “Nós tínhamos deixado acertado: a gente continuaria treinando no piso como estava. Quando precisassem da semana para fazer a obra, a gente parava e depois voltava. Era simples”, lamenta Gabriel Serra.
Verba é vetada por DilmaAlém dos reparos emergenciais no ginásio do Centro Olímpico da UnB, outra reforma está prevista para o fim deste ano. Segundo André Reis, o novo trabalho levaria muito mais tempo. “O que estamos realizando são só reparos emergenciais. Temos planos de fazer outra obra maior ao fim do ano, que depende de licitação, e talvez teremos que interditar o ginásio por cerca de três meses”, avisa o diretor do CO.
Essa obra seria o começo de uma revitalização total no Centro Olímpico da UnB. O projeto, orçado em R$ 300 milhões, fazia parte da reforma prevista para a realização da Universíade 2017, competição que Brasília tentou sediar, mas perdeu a eleição para a cidade chinesa de Taipei. Mesmo com a derrota, o Congresso Nacional havia aprovado uma emenda de R$ 240 milhões no Plano Plurianual 2012-2015. Porém, a presidente Dilma Rousseff vetou o projeto, alegando que a iniciativa perdeu o objetivo com a derrota da candidatura brasiliense.
Segundo Alexandre Rezende, diretor da Faculdade de Educação Física (FEF) da UnB, a instituição vai tentar conseguir a verba com o Governo do Distrito Federal (GDF), que havia se comprometido a liberar os R$ 60 milhões restantes para complementar o restante do projeto inicial. “Vamos conversar com o GDF para tentarmos conseguir os R$ 240 milhões que faltam, ou pelo menos manter uma parte desses recursos”, avisa. Caso não obtenham o montante total, Alexandre diz que a UnB vai priorizar obras mais relevantes, como a cobertura das quadras ao redor do ginásio e a expansão do prédio da FEF.