Marcela Mattos - Correio Braziliense
03/02/2012 08:26
03/02/2012 09:43
Em contagem regressiva, cada segundo para o primeiro domingo de fevereiro está sendo cronometrado em diversos sites americanos. A data, no entanto, não precisaria ser lembrada. Nem o Natal, o réveillon ou o Dia de Ação de Graças: a data que mais movimenta os Estados Unidos é a grande final da NFL. Considerado um feriado nacional, o Super Bowl se tornou há algum tempo muito mais do que um evento esportivo. Além de torcedores, o campeonato atrai, a reboque, músicos, publicitários, empresários — em busca, claro, de cifras bilionárias.
Às 21h (de Brasília), não apenas dois times de futebol americano entrarão em campo no estádio Lucas Oil. Os New England Patriots e New York Giants carregam olhares de todo o mundo, que, dias antes de a partida ser iniciada, já estão com a atenção voltada para Indianápolis, sede do evento deste ano. De acordo com estudo da National Retail Federation, federação ligada ao comércio, a estimativa é que 173 milhões de americanos assistam ao jogo — ou seja, mais da metade da população dos Estados Unidos, que hoje gira em torno de 310 milhões.
O poder dessa multidão impressiona. Somente em mercadorias supérfluas, como roupas e lanches, cada torcedor deve desembolsar cerca de US$ 63,87. No total, US$ 11 bilhões serão investidos somente nesses bens, sem contar os valores de ingresso, transporte, passagens ou qualquer outro custo relacionado ao jogo. Mas os americanos não são famosos por se importarem com consumo calórico, e, quase literalmente, devoram o Super Bowl. O primeiro domingo de fevereiro é o segundo dia de maior consumo de comida no país, perdendo apenas para o Dia de Ação de Graça.
Se os americanos investem alto em comida e indumentárias, dá para imaginar que a economia também não é feita no momento de garantir uma boa cadeira no estádio e acompanhar o jogo próximo aos ídolos. Comparado a 1967, quando nasceu o Super Bowl, esta 46ª edição apresenta um aumento de 9.900%. Naquela época, o ingresso mínimo custava US$ 6. Passados 45 anos, o valor chega a US$ 1.200 — se comprado com antecedência. De acordo com a imprensa americana, por conta da revenda por meio de cambistas, os tíquetes podem ultrapassar US$ 4 mil cada.
Mas, segundo Jennifer Swanson, porta-voz de um site de vendas on-line, o investimento vale a pena. “Um ingresso para o Super Bowl, para fãs do esporte, é como o Santo Graal”, disse à Fox Sports. “Mas não há nada como estar lá. Existe uma energia no ar que atravessa tudo que você faz. A cerveja fica mais gelada. A comida, mais gostosa”, defende, tentando justificar, em sentimentos, a bolada a ser desembolsada.
Dinheiro, intervalo e rock
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| A torcida do Green Bay Packers na final de 2011: alegria e criatividade |
Por trás de tamanho interesse por parte do público, é de se esperar que o Super Bowl realmente seja um evento emocionante. Além de touchdowns, bloqueios e passes de longa distância, outros shows são conferidos nos gramados. Durante 15 minutos de intervalo, rapidamente um palco é montado no gramado e nele se apresenta um artista top de linha (veja quadro). Para esta edição, Madonna foi a escolhida.
Também pegam carona na atenção global as grandes empresas. Comerciais são produzidos especialmente para os breaks dos jogos — muitos deles relacionados ao futebol americano — e, por sua inteligência e criatividade, também são considerados atrativos do campeonato. O espaço publicitário do jogo é o mais caro da televisão mundial: a projeção, para este ano, é de que 30 segundos de propaganda custem a bagatela de US$ 3,5 milhões.
As cifras são justificadas pela audiência. Segundo a Nielsen Co, a edição do ano passado, vencida pelo Green Bay Packers sobre o Pittsburgh Steelers, atingiu uma média recorde de 111 milhões de telespectadores. O dado deixa o maior evento esportivo brasileiro no chinelo. Na final do Brasileirão do ano passado, o jogo entre Corinthians e Palmeiras atingiu 29 pontos no Ibope, o equivalente a 1,6 milhão de domicílios sintonizados.
Tradição
No Superbowl, os intervalos de 15 minutos
são exclusivos para apresentações
de shows musicais. Confira os artistas
que tocaram nas últimas cinco edições.
» 2011: The Black Eyed Peas, Usher, Slash
» 2010: The Who
» 2009: Bruce Springsteen and the E Street Band
» 2008: Tom Petty & the Heartbreakers
» 2007: Prince
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