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Atletas analisam algumas das mais impressionantes marcas esportivas do mundo

Para eles, as chances são grandes de que muitos recordes jamais sejam quebrados

Luiz Roberto Magalhães - Correio Braziliense

Publicação:

20/02/2012 08:15

Na realidade atual do futebol, chegar aos mil gols é um feito antológico. Por isso mesmo, Romário se esforçou tanto em buscar a marca e o mesmo ocorre atualmente com Túlio Maravilha, embora, em ambos os casos, as contas anunciadas motivem desconfianças. Posto isso, fica claro por que o recorde de gols de Pelé, considerado o maior jogador de todos os tempos, que estufou a rede mais de 1.280 vezes, siga como uma marca tão fantástica.

Na Fórmula 1, um veterano alemão chamado Michael Schumacher não figura entre os cotados para o título da temporada 2012 e tampouco parece ser capaz de voltar a erguer um troféu de campeão do mundo em 2013. Ainda assim, os mais brilhantes pilotos em atividade terão que acelerar de uma forma insana se quiserem chegar perto de alguns recordes espetaculares que Schumy detém, entre eles o de sete títulos de campeão na categoria e de maior número de vitórias na F-1.

Na NBA, o camarada que mais bolas encestou e que ainda está em ação é superastro do Los Angeles Lakers Kobe Bryant. Ele contabilizava 28.699 pontos (até a sexta-feira), mas aparece apenas como o quinto maior cestinha da liga norte-americana em todos os tempos, quase 10 mil pontos atrás do recordista, Kareem Adbul-Jabbar. Nessa mesma linha, um brasileiro destaca-se quando o assunto são Olimpíadas. Oscar Schmidt marcou quase 1.100 pontos nas cinco edições dos Jogos que disputou, um recorde incrível.

A lista de feitos extraordinários do esporte é longa. O Correio elegeu algumas marcas impressionantes e as levou à análise de atletas e ex-atletas de renome. Para eles, esses recordes dificilmente serão superados em um futuro próximo. Em vários casos, eles dizem, a tarefa é quase impossível. Conheça algumas façanhas que atletas fora de série estabeleceram em suas modalidades e que o tempo não parece ser capaz de apagar.

Franck Fife/ AFP


Futebol
1.283 - gols
» Muita gente não sabe, mas Pelé não foi o maior artilheiro da história. Seus 1.283 gols representam a segunda maior marca de todos os tempos e ficam atrás apenas das 1.329 estufadas de rede que o brasileiro Arthur Friedenreich protagonizou nas décadas de 1910, 1920 e 1930. Entretanto, o festival de gols de Pelé segue como referência de brilhantismo e imbatível na era profissional. Para o brasiliense Washington, recordista de gols em uma única edição do Campeonato Brasileiro (marcou 34 vezes pelo Atlético-PR, em 2004) e duas vezes artilheiro da competição (se destacou ainda em 2008, pelo Fluminense), o feito de Pelé é praticamente imbatível. “Na vida, não podemos dizer que alguma coisa seja impossível. Mas esses 1.283 gols do Pelé é algo praticamente impossível de ser atingido. Para que isso ocorresse, alguém teria que ter uma longa carreira, de uns 15 anos, no mínimo, jogando sempre em altíssimo nível e marcando muitos gols a cada ano. Isso sem nunca se machucar, o que é difícil no futebol atual”, opinou o Coração Valente. O Correio fez as contas. Para igualar a marca de Pelé no tempo citado por Washington, seria necessária uma média anual de 86 gols. “É gol demais. Fica difícil até de imaginar alguém fazendo isso por 15 anos seguidos”, observou o goleador candango, que marcou mais de 600 gols na carreira.

Natação
8 - medalhas de ouro em uma única Olimpíada
» Quando o nadador norte-americano Mark Spitz arrebatou sete medalhas de ouro nas Olimpíadas de Munique, em 1972, muitos acreditaram que ele havia estabelecido uma marca perene. Entretanto, em 2008, nos Jogos de Pequim, um outro norte-americano, Michael Phelps, brilhou em oito ocasiões e se tornou o ser humano com mais ouros conquistou em uma única edição olímpica. Para a nadadora brasiliense Tatiana Lemos, que disputou as Olimpíadas de Atenas-2004 e Pequim-2008, e que está em busca do índice para Londres-2012, o feito deverá perdurar por décadas. “Não vou dizer que é impossível, porque pode aparecer alguém que chegue a nove ouros. Mas é improvável. Se algum dia isso acontecer, será daqui a muito tempo, em vários ciclos olímpicos. Hoje, a tendência é que os atletas nadem cada vez menos provas nas Olimpíadas. Então, teria que surgir alguém realmente incrível para superar essa marca.”

Tênis
24 títulos de simples em Grand Slams
» A australiana Margaret Smith Court é uma lenda viva do esporte. Nenhum jogador (homem ou mulher) venceu tantos Grand Slams — grupo dos quatro torneios mais importantes do tênis, que inclui o Aberto da Austrália, Roland Garros, Wimbledon e o US Open — quanto ela. Foram 24 títulos de simples (só na Austrália, venceu 11 vezes). Somando-se os de duplas e duplas mistas, as conquistas chegam a 62 troféus, outro recorde. Roger Federer, recordista entre os homens, brilhou em 16 ocasiões. “Essa é uma marca praticamente impossível de ser superada”, acredita Marcos Daniel, ex-tenista profissional. “Os recordes existem para serem quebrados, mas, nesse caso, está longe de acontecer. Com todo o profissionalismo atual e a dificuldade, na parte física, necessária para para vencer um Grand Slam atualmente, a não ser que apareça outro Federer, o que é difícil, não acredito que esse recorde vá cair um dia.”

 

Basquete

Carlos Silva/CB
1.093 - pontos em Olimpíadas
» Oscar Schmidt é reconhecidamente um dos maiores jogadores de todos os tempos, mesmo sem nunca ter atuado na NBA (ele recusou vários convites pois, naquela época, se jogasse na liga norte-americana, não poderia mais vestir a camisa da Seleção Brasileira). Melhor para o Brasil, já que, com a Seleção, ele estabeleceu uma marca incrível em Olimpíadas. Ex-pivô da Seleção Brasileira, Pipoka disputou três Olimpíadas ao lado de Oscar (Seul-1988, Barcelona-1992 e Atlanta-1996). Para ele, a marca do Mão Santa é sobrenatural. “O Oscar pontuava muito em todos os jogos. A não ser que apareça alguém com o mesmo perfil e que tenha condição de disputar cinco Olimpíadas como ele fez, esse recorde dificilmente será quebrado. Ele tinha uma média de pontos muito alta. Alguém pode até se destacar em uma ou duas Olimpíadas. Mas manter um nível tão elevado em cinco edições é impressionante. Acho que essa é uma marca difícil de ser quebrada.”

38.387 - pontos na NBA
» Batizado como Ferdinand Lewis Alcindor Jr. e reconhecido mundialmente por seu nome árabe, Kareen Abdul-Jabbar nasceu em Nova York em 16 de abril de 1947 e, entre 1969 e 1988, jogou pela NBA. Na liga norte-americana, escreveu seu nome na história como o jogador que mais pontos marcou em todos os tempos. Para se ter uma ideia do que seus mais de 38 mil pontos significa, o astro Kobe Bryant, do Los Angeles Laker, jogador com maior pontuação na atualidade, caminha para somar 29 mil pontos. Para o armador Nezinho, do UniCeub/BRB, dono de quatro títulos brasileiros, a marca de Karren é notável. “Acho muito difícil que alguém consiga superá-la. Além do Kobe, não tem nenhum outro jogador atualmente com uma média tão alta que possa sonhar com isso. E o próprio Kobe já está em fim de carreira e tem mais uns cinco anos, no máximo, em quadra. Pensar em 38 mil pontos na NBA na atualidade é algo quase irreal.”

 

Fórmula 1
91 vitórias
» O alemão Michael Schumacher é mais do que o maior campeão da história da categoria, com sete títulos. Ele detém o recorde de vitórias, tendo superado todos os rivais nas pistas em 91 ocasiões. Para o ex-piloto da F-1 Antônio Pizzonia, tanto o recorde de títulos como o de vitórias são surpreendentes. “Os dois são muito difíceis de serem quebrados. Eu até acho que existem pilotos em atividade com condições de fazer isso, como o Vettel (atual bicampeão e que tem 21 triunfos na carreira), que é muito novo. Mas, para isso, ele teria que fazer como o Schumacher: correr por muitos anos em uma equipe que domine completamente o cenário, como foi a Ferrari no auge da carreira de Schumacher”, ressaltou Pizzonia, que detém o recorde de velocidade na Fórmula 1. Em Monza, em 1994, ele acelerou a 369,9km/h. A marca anterior era de 367,3km/h e pertencia justamente ao alemão.

Salto com vara
35 recordes mundiais
» Para a maioria dos seres humanos, quebrar qualquer recorde mundial uma vez é uma façanha que dispensa comentários. Imagine, então, um atleta protagonizar esse feito 35 vezes. Foi isso que o ucraniano Sergey Bubka, campeão olímpico em Seul-1988 e dono de seis títulos mundiais consecutivos, entre outras façanhas, conseguiu. Bubka derrubou a melhor marca do planeta outdoor 17 vezes e o indoor, 18. Seu recorde de 6m14, estabelecido em 31 de julho de 1994, em Sestriere, na Itália, ainda espera para ser superado. Para a bicampeã mundial Fabiana Murer, os 35 recordes de Bubka têm tudo para serem eternos. “Acredito que a marca de 6m14 é até possível de ser quebrada, mas ainda é um recorde que vai demorar. Mas quebrar o recorde do salto com vara 35 vezes na atualidade é algo praticamente impossível. Os resultados já estão muito altos para que uma mesma pessoa possa superar a marca tantas vezes”, acredita a brasileira.

Surfe
11 títulos mundiais
» Se existe um rei supremo das ondas, ele se chama Kelly Slater. O norte-americano fez por merecer o título de maior surfista de todos os tempos. Entre 1992 e 2011, ele levou para casa 11 troféus em campeonatos mundiais, sendo que cinco deles foram consecutivos (entre 1994 e 1998). A marca ainda pode ser ampliada, já que Slater, que começou a surfar aos 6 anos, ainda está em atividade. Para o carioca Bruno Santos, surfista profissional com experiência de 10 anos em circuitos internacionais, os 11 títulos mundiais de Kelly Slater representam uma marca monstruosa. “Eu acho praticamente impossível que alguém um dia possa superar esse recorde. Não só no surfe, mas em qualquer esporte, conseguir ser campeão mundial 11 vezes é algo inacreditável. Para ser campeão do mundo no surfe, é preciso manter uma regularidade muito grande em todas as etapas do circuito. Fazer isso em um ano já é muito difícil. Imagine conseguir surfar nesse nível em 11 campeonatos…”

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