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Quem é ele
Rafael de Mattos Andriato
Data de nascimento: 20/10/1987
Altura: 1,77m
Peso: 69kg
Principais títulos: campeão do 24° GP Internazionale Industrie del Marmo, na Itália, em 2011; vice-campeão primeira etapa do Torneio de Verão em Santos, em 2009; 15º lugar nos Jogos Pan-Americanos de 2007; 13º lugar nos Jogos Pan-Americanos de 2011; campeão Tour do Rio em 2010. |
Na maioria dos esportes, ter o passaporte carimbado rumo à Europa é o trampolim definitivo para o sucesso. Reconhecimento, estrutura de ponta e melhora no desempenho são, normalmente, os resultados buscados — e conquistados — com a mudança de endereço. Mas, tão difícil quanto chegar lá é se manter no Velho Mundo. Que o diga o ciclista paulista Rafael Andriato. Aos 24 anos, ele realizou o sonho e foi convidado a integrar uma equipe italiana profissional no início deste mês. E conta que cada dia no país estrangeiro é encarado como uma vitória na carreira.
A começar por estar ocupando uma vaga que, na teoria, pertenceria a um ciclista local. Para chegar ao profissional, é necessário passar por uma categoria intermediária, a diletante. Entre 400 ciclistas, uma média de 20 por ano é selecionada a subir de nível. Rafael passou quatro temporadas nesse estágio, já na Itália. “Na hora de passar para o profissional, com certeza eles puxam a sardinha de quem é de casa. Vi atletas que ganharam as mesmas corridas, tiveram os mesmos resultados e passaram bem antes de mim”, conta. Ele ressalta, no entanto, que, apesar da competição interna, fez grandes amizades.
A equipe Farnese Vini/Selle Itália conta com 19 atletas. Rafael é o único não europeu e, de outro país, há apenas um belga. Assim, ele tem de mostrar que merece o cargo, e isso, no esporte, é comprovado em resultados. “Existe uma pressão para que os estrangeiros sejam os melhores. Às vezes, não consigo um bom desempenho, e tenho que saber lidar com isso também”, conta. O paulista diz que já teve colegas de fora que, por não conseguirem despontar, voltaram rapidamente para casa. “O nível aqui é muito alto. Você está na melhor condição, mas encontra outros iguais ou melhores. Não podemos nos acomodar.”
A ideia de que a Europa é o caminho para ficar rico no esporte também é ilusória — ao menos no ciclismo. Com um salário mínimo de 2,3 mil euros por mês, Rafael conta que não tem o que reclamar do benefício. Uma vida cheia de regalias, no entanto, não poderia ser levada. Os gastos com alimentação e hospedagem, de custos bem mais altos do que no Brasil, consomem praticamente tudo o que ganha. “Todo mundo acha que eu estou rico. Poderia estar ganhando mais se estivesse no Brasil”, diz. O atleta afirma que as cifras não foram o que o motivaram a se mudar. “Não vim pensando em dinheiro, mas sim em realizar o sonho de correr entre os melhores do mundo e em grandes competições.”
Por baixoTodos os atletas da categoria profissional ganham, inicialmente, 27,5 mil euros por ano. O valor, no entanto, acaba sendo um pouco maior por conta das bonificações ganhadas com prêmios.
Expectativa de LondresAndriato está na disputa por uma das três vagas para as Olimpíadas deste ano. A classificação depende de resultados neste começo de temporada, e, por isso, ele está treinando pesado para conquistar títulos e conseguir participar dos Jogos.
Controle do dopingA suspensão de dois anos do ciclista espanhol Alberto Contador, tricampeão da Volta da França, por doping, repercutiu no mundo inteiro. Rafael Andriato conta que, na Europa, a fiscalização é bastante rigorosa. Somente neste ano, ele foi controlado duas vezes pela Wada, a Agência Mundial Antidoping. De três em três meses, os atletas têm de entregar uma planilha na qual constam os endereços e os horários que estarão no período. A fiscalização pode chegar a qualquer momento.
Sucesso precoceA carreira de Rafael Andriato começou cedo. Aos 9 anos, na cidade de Maringá (PR), participou de sua primeira competição, junto de ciclistas de até 12 anos, e cruzou a chegada em segundo lugar. O feito foi apenas o primeiro de muitos: era rotineiro, mesmo entre mais velhos, conquistar medalhas.
Andriato se acostumou a ser precoce — aos 17 anos, saiu de casa para treinar em uma equipe em Criciúma (SC), onde conquistou o título de melhor brasileiro júnior — e acredita que ter começado cedo foi o diferencial para conseguir treinar fora do país. Em 2007, aos 19, chegou ao primeiro lugar do ranking nacional, disputado por atletas da elite. No mesmo ano, teve sua primeira participação nos Jogos Pan-Americanos, no Rio de Janeiro, onde ficou na 15ª colocação. Foi quando recebeu o convite para treinar na Itália.
Acostumado a se mudar por conta do esporte, topou o desafio e fez as malas. Em sua quinta competição no país, veio a primeira vitória. Ser reconhecido, no entanto, demorou. “Saí do Brasil sendo o melhor do ano e cheguei a um país em que era só mais um”, lembra. Aos poucos, foi ganhando algumas provas e, quatro anos depois, passou a integrar a mais alta categoria do ciclismo italiano.
Realizado profissionalmente, ele elogia a estrutura do país e diz não se arrepender do rumo que seguiu. E dá um recado aos que pretendem seguir os mesmos passos: “Se tiver oportunidade, abraça. Realmente vale a pena”.