ESPORTE PARALÍMPICO

Em SP, Parapan-Americano de Jovens reúnem "veteranos" de até 21 anos

Entre os estreantes na competição, há quem já tenha experiência paralímpica

postado em 20/03/2017 19:35 / atualizado em 21/03/2017 12:09

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Cleber Mendes/MPIX/CPB

Após o Rio de Janeiro sediar eventos multiesportivos como os Jogos Parapan-Americanos do Rio-2007 e os Jogos Paralímpicos-2016, chega a vez de São Paulo receber mais um grande evento, desta vez destinado a atletas entre 13 e 21 anos. Até sábado (25/2), a capital paulista será palco da quarta edição dos Jogos Parapan-Americanos de Jovens, com 800 competidores de 20 países. Entre tantos participantes que competem pela primeira vez internacionalmente, há estrelas que assumem papel de veteranos, mesmo sem tanta idade. É o caso dos quatro atletas da delegação brasileira que estiveram nas Paralimpíadas, há seis meses.

Aos 17 anos, Jeohsah Santos disputará a primeira competição internacional dele entre os jovens. Porém, com a bagagem de ter competido com adultos os Jogos do Rio, quando ficou na sexta posição no salto em altura, classe T44. Por isso, a expectativa do pernambucano de Pesqueira extrapola o objetivo de ganhar experiência ou de melhorar a marca pessoal. “Também é importante ficar de olho em quem serão os meus adversários no futuro, nos próximos anos. Quero, claro, ser campeão em São Paulo, mas estou de olho em Tóquio-2020", avisa.

A meta do pernambucano parece um tanto ousada para uma competição de jovens. Mas não no desporto paralímpico. O próprio presidente do Comitê Paralímpico Internacional (IPC), Philip Craven, reconhece que, para alguns deles, os Jogos no Japão serão questão de tempo. “Muitos jovens foram inspirados a adotar o esporte paralímpico com a América sediando os primeiros Jogos Paralímpicos em 2016. Aposto que muitos dos que estão aqui, hoje, estarão nos Jogos Paralímpicos daqui a três anos. Alguns são futuros campeões”, prevê.

Fernando Maia/MPIX/CPB
Prova viva de que tal façanha é possível é a brasileira Danielle Rauen. Aos 19 anos, a mesa-tenista disputará o segundo Parapan de Jovens da carreira e chega com uma medalha de bronze conquistada nos Jogos Paralímpicos do Rio-2016. “Participei do Parapan de Jovens de Buenos-2013, que foi minha primeira competição internacional. Agora, em 2017, acredito que seja uma troca de importância. Como eu aprendi com outros atletas mais veteranos em 2013, outros podem aprender comigo agora, até pelas minhas experiência em outros campeonatos neste último ciclo paralímpico”, observa.

Como não costuma sair com as conquistas penduradas no pescoço, a aparência de garota da catarinense de São Bento do Sul pode não levantar suspeitas da bagagem que ela carrega na carreira. Danielle acaba passando despercebida na maior parte das vezes que transita pelo Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, local do Parapan de Jovens. “Acredito que poucos atletas que estão aqui me conhecem. Eu até estava fazendo um curso quando uma pessoa me apresentou dizendo que eu estive na Rio-2016 e todo mundo se surpreendeu. Falavam: ‘Uau, ela ganhou medalha’”, conta Danielle, que não esconde o sorriso ao compartilhar as lembrança da primeira Paralimpíada.

No caso de Edwarda de Oliveira Dias, que aos 17 anos ganhou o bronze paralímpico com a Seleção Brasileira adulta de vôlei sentado no Rio, foi o técnico da equipe dos Estados Unidos que, além de reconhecê-la imediatamente ao vê-la treinando em São Paulo, ainda brincou com a surpresa. “Quando ele me viu, levou as mãos ao rosto e disse: ‘Duda, não. Não acredito que você tem apenas 17 anos e está aqui’”, conta a jogadora.

Durante as Paralimpíadas do Rio-2016, as brasileiras fizeram uma disputa acirrada com as norte-americanas nas quadras cariocas. Coube à Duda repassar o peso dessa rivalidade saudável às colegas mais novas da equipe que disputa o Parapan de Jovens. Não há dúvidas de que a experiência da jogadora, que aos 15 anos foi morar sozinha em São Paulo para atuar pelo Sesi-SP, será importante à equipe verde-amarela.

Mais tímida, a levantadora de peso Mariana D´Andrea, 19 anos, é outra brasileira com experiências e conquistas de dar o que falar. No ano passado, além de ter participado das Paralimpíadas, ela levantou 97kg na Copa do Mundo da modalidade na Malásia, levando o ouro na categoria até 61kg júnior e terminando na sexta colocação na classificação geral. De quebra, aos 18 anos, a paulista de Itu quebrou os recordes brasileiros (adulto e júnior), das Américas (júnior) e Mundial (júnior).

A repórter viaja a convite da Comitê Paralímpico Brasileiro