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| Romário levou o América à elite em 2009, com o título da Série B do Rio. O clube terá de repetir o feito em 2012 |
Você já ouviu falar de Wayne Szalinski? Não é nenhum treinador de futebol revolucionário ou um novo Lionel Messi fabricado em outro planeta. Trata-se do personagem principal daquele filme Querida, encolhi as crianças!, estrelado pelo ator canadense Rick Moranis. No papel de cientista, ele constroi uma máquina para reduzir objetos e desastrosamente consegue a proeza de minimizar os próprios filhos. Os campeonatos estaduais estão cheios de clubes vítimas das experiências malucas de algum Wayne Szalinski. Marcas antigamente valiosas e respeitadas, como as do América-RJ e do Paraná Clube, por exemplo, não têm espaço nem sequer na primeira divisão do Carioca e do Paranaense, respectivamente.
Campeão carioca em 1913, 1916, 1922, 1928, 1931, 1935 e 1960, o América mais uma vez junta os cacos do rebaixamento no ano passado para disputar a Série B. A tentativa de mais uma volta por cima começa neste sábado, no Estádio Giulite Coutinho, contra o Juventus. Por enquanto, a derrota para o Botafogo na final da Taça Guanabara de 2006 e o terceiro lugar no Brasileiro de 1986 são as últimas impressões positivas do clube que se orgulha no site oficial de ser um “patrimônio do Rio”.
O responsável por evitar que o clube centenário se transforme em um patrimônio tombado, mas em um museu, é o treinador Antonio Carlos Roy, de 42 anos. Especialista em resgatar times do fundo do poço, Roy foi campeão da Série C em 2002, à frente do Casimiro de Abreu, e tricampeão da B em 2007, 2008 e 2010, no comando de Resende, Bangu e Cabofriense, respectivamente.
O difícil no caso do América é olhar para o passado e ser otimista quanto ao presente. Pelo menos três heróis do tetracampeonato mundial conquistado pela Seleção Brasileira em 1994, nos EUA, já tentaram erguer o América-RJ. Nenhum conseguiu cumprir a missão quase impossível. Deputado federal, o baixinho Romário chegou a entrar em campo com a camisa do clube na tentativa de resgatar o clube do coração do seu pai, seu Edevair. Depois, virou gestor, nomeou o ex-parceiro de ataque Bebeto como técnico, mas o projeto novamente não decolou. Antes de assumir o Kashima Antlers, do Japão, e de fazer sucesso tanto no Figueirense quanto na parceria com Dunga na Seleção Brasileira nas conquistas da Copa América de 2007 e da Copa das Confederações de 2009, Jorginho Campos tentou colocar o clube que o formou nos trilhos. No entanto, o América novamente descarrilou.
O Rio também lamenta o desaparecimento do Campo Grande. O Galo da Zona Oeste do Rio jamais foi campeão carioca, mas já teve o seu brilho no cenário nacional. Em 1982, o Campusca conquistou a Taça de Prata, um torneio equivalente, hoje, à Série B do Campeonato Brasileiro. Além da taça, o time arrematou a artilharia com 10 gols de Luisinho das Arábias e ainda teve o melhor ataque, com 39 gols. Trinta anos depois, o Campo Grande não participará nem da Série C do Campeonato Carioca em 2012.
JeanAutor dos três gols do título do Flamengo sobre o Vasco na final do Campeonato Carioca de 2004, o atacante Jean, ex-Corinthians, Brasiliense e Vasco, é a estrela-guia do América na caça ao título da segundona. Além dele, o Diabo conta com a segurança do goleiro Lugão, com passagem pelo Fluminense. Grupo BAlém de América e Juventus, a chave tem Goytacaz, São João da Barra, Juventus, Imperial, Cabofriense, Angra dos Reis, Portuguesa, Audax Rio e Sampaio Correa. Na A estão Rio Branco, Carapebus, Ceres, Teresópolis, Quissamã, Mesquita, Barra Mansa, São Cristóvão, Artsul, Tigres e Serramacaense.
DA FAMA NACIONAL AO REBAIXAMENTO REGIONALAMÉRICA-RJFundação: 18/9/1904
Títulos estaduais: 7
Título nacional: Torneio dos Campeões (1982)
Situação atual: Espera o início da Série B do Rio
Última lembrança: Vice-campeão da Taça Guanabara, em 2006, na derrota para o Botafogo.
Curiosidade: Djalma Dias, Edu, Canário, Jorginho, Zagallo, Leônidas, Almir Pernambuquinho, Luisinho Lemos, Orlando Lelé e Romário são alguns craque que já defenderam o América.
CAMPO GRANDE-RJFundação: 13/6/1940
Títulos estaduais: não tem
Título nacional: Taça de Prata (Série B), em 1982
Situação atual: Não disputa nem a Série C do Carioca
Última lembrança: Quinto colocado no estadual de 1991
Curiosidade: Já teve como jogadores Cláudio Adão, Dadá Maravilha, Roberto Dinamite, Valdir, Luizinho das Arábias, entre outros. Vanderlei Luxemburgo, Jair Pereira e Edu Coimbra já treinaram o time.
PARANÁ-PRFundação: 19/12/1989
Títulos estaduais: 7
Títulos nacionais: Série B (1992 e 2000)
Situação atual: Espera o início da Série B do Paranaense, em maio
Última lembrança: Título paranaense de 2006
Curiosidade: O pentacampeão Ricardo Luís Pozzi Rodrigues, o Ricardinho, pendurou as chuteiras no Bahia e assumiu a missão de ser o treinador responsável por resgatar o clube.
INTER-SPFundação: 5/10/1913
Título estadual: 1
Título nacional: Série B (1988)
Situação atual: Atualmente está na Série C paulista
Última lembrança: Vive do título paulista de 1986, em cima do Palmeiras
Curiosidade: Orgulha-se de ter sido o primeiro clube do interior vencedor do Campeonato Paulista com: Silas; João Luís, Juarez, Bolívar e Pécos; Manguinha, Gilberto Costa e João Batista;Tato, Kita e Lê.
SANTO ANDRÉ-SPFundação: 18/9/1967
Título estadual: não tem
Título nacional: Copa do Brasil (2004)
Situação atual: Amarga a segunda divisão paulista
Última lembrança: Vice paulista em 2010 e Copa do Brasil de 2004.
Curiosidade: Calou o Maracanã na final da Copa do Brasil de 2004. Diante do rubro-negro, deu a volta olímpica em cima de um time liderado por Abel Braga, que tinha Athirson, Julio Cesar e Felipe como estrelas.
UNIÃO SÃO JOÃO-SPUnião São João Esporte Clube
Fundação: 14/1/1981
Títulos estaduais: não tem
Título nacional: Série B (1996) e C (1988)
Situação atual: Amarga a Série C do Paulistão
Última lembrança: Disputou a Série A do Brasileiro em 1997.
Curiosidade: É lembrado até hoje por ser o clube que revelou o pentacampeão mundial Roberto Carlos e sofreu seis gols em um mesmo jogo do atacante Edmundo, o Animal, no Brasileiro de 1997.
JUVENTUS-SPFundação: 20/4/1924
Título estadual: não tem
Título nacional: Série B (1983)
Situação atual: Amarga a Série C do Paulistão.
Última lembrança: Disputou a Série A do Brasileiro em 1997.
Curiosidade: Teve como jogadores famosos, entre outros, Julinho Botelho, César Luis Menotti, Deco, Thiago Motta, Elias e Wellington Paulista.
UBERLÂNDIA-MGFundação: 1º/11/1922
Título estadual: não tem
Título nacional: Série B (1984)
Situação atual: Amarga a Série B do Mineiro
Última lembrança: Terminou o Brasileiro de 1979 em 9º lugar
Curiosidade: O gol do título do Uberlândia na final da Série B de 1984, em cima do Remo-PA, foi marcado por um ex-ponta-direita bem conhecido da torcida do Vasco: Welves Dias Marcelinho, o Vivinho.
BRASIL-RSFundação: 7/9/1911
Título estadual: não tem
Título nacional: não tem
Situação atual: Amarga a Série B do Gaúcho
Última lembrança: Terceiro colocado no Brasileiro de 1985
Curiosidade: Obrigado pela CBF a jogar em Porto Alegre na semifinal do Brasileiro de 1985, o time de João Luís; Valdoir, Silva, Hélio e Jorge Batata; Doraci, Lívio e Andrezinho; Júnior Brasília, Bira e Zezinho caiu diante do Bangu.
XV DE CAMPO BOM-RSFundação: 15/11/1911
Título estadual: não tem
Título nacional: não tem
Situação atual: Fora de série, reativou o departamento de futebol
Última lembrança: Semifinal da Copa do Brasil de 2004
Curiosidade: Finalista do Campeonato Gaúcho por três vezes, o XV de Campo Bom chegou às semifinais da Copa do Brasil sob o comando do atual técnico da Seleção Brasileira, Mano Menezes.
OPERÁRIO-MSFundação: 21/8/1938
Títulos estaduais: 10
Título nacional: Série B (1987, Módulo Branco)
Situação atual: Recordista de títulos estaduais, caiu para a segundona
Última lembrança: Título estadual de 1997
Curiosidade: Em 1977, o clube de Campo Grande terminou o Campeonato Brasileiro atrás apenas dos finalistas São Paulo e Atlético-MG. Nas semifinais, caiu diante do tricolor paulista.
DESPORTIVA-ESFundação: 17/6/1963
Títulos estaduais: 16
Título nacional: não tem
Situação atual: Aguarda o início da Série B do Capixaba
Última lembrança: Título capixaba de 2000
Curiosidade: Figurou na Série A do Campeonato Brasileiro pela última vez em 1993, quando chegou a ter o meia Andrade, campeão brasileiro por Flamengo e Vasco, como um dos seus destaques.
Operário e Brasil fizeram história
Entre as páginas heroicas do ex-goleiro Carlos José Castilho, o Leiteria, está o terceiro lugar no Campeonato Brasileiro de 1977. A proeza não ocorreu debaixo das traves do Olaria, do Fluminense ou do Paysandu, seus três clubes como jogador profissional. Em vez da bola, Castilho brilhou com uma prancheta na mão, à frente do Operário Futebol Clube. Naquele ano, ele levou o Operário às semifinais do Nacional e só não atingiu uma final história porque o São Paulo impediu. No jogo de ida, o Galo venceu o tricolor em casa, por
1 x 0. Na volta, perdeu por 3 x 0, e o time de Rubens Minelli avançou à decisão contra o Atlético-MG. Bom de bola, o time do Operário deixou o time do Palmeiras fora das semifinais.
A bela história contrasta com o momento delicado do recordista de títulos de Mato Grosso do Sul. O Operário foi rebaixado para a Série B do campeonato estadual em 2011. No ano passado, venceu apenas duas partidas em 14 disputadas. Para completar, a escalação de um jogador irregular contra o Chapadão obrigou a Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul a suspender o clube das competições oficiais por dois anos por contrariar o regulamento. O clube ainda tenta uma reviravolta na Justiça.
Outro clube distante da elite estadual é o Brasil de Pelotas. O clube jamais foi campeão gaúcho, mas em 1985 brilhou ao terminar o Nacional em terceiro lugar. Nas quartas de final, deixou o Flamengo fora do mata-mata ao terminar em primeiro lugar no Grupo F. Nos confrontos diretos, perdeu por 1 x 0 no Maracanã para o Flamengo, mas em casa fez
2 x 0 no time rubro-negro e praticamente garantiu a sua passagem para as semifinais, contra o Bangu. No entanto, o time carioca chegou à final.
Rebaixado em 2009, o Brasil vai tentar pelo terceiro ano consecutivo retornar à elite do campeonato estadual. Boas lembranças não faltam para voltar a figurar entre as potências dos pampas. O clube conquistou a Série B do Campeonato Gaúcho duas vezes, em 1961 e 2004.
Paraná Clube está sem calendário
Poucos clubes no futebol brasileiro tiveram uma ascensão tão rápida e bonita quanto a do Paraná Clube. Fundado em 1989 após a fusão do Colorado com o Pinheiros, o clube precisou de apenas quatro anos para ter acesso à elite do Campeonato Brasileiro. Conquistou a Série B em 1992 e, no ano seguinte, debutava entre as principais potências do futebol nacional. O conto de fadas chegou ao ápice com um pentacampeonato estadual, de 1993 a 1997, e a classificação para a Libertadores de 2007 depois do quinto lugar no Campeonato Brasileiro do ano anterior.
A eliminação nas oitavas de final do torneio continental foi um marco para o Paraná. A partir da eliminação diante do Libertad, do Paraguai, a gestão do clube desandou. Rebaixado para a segunda divisão na mesma temporada, o Paraná já amarga cinco temporadas longe da Série A. Pior do que a ausência na elite é o fracasso estadual. No ano passado, o Paraná desabou para a segundona. Como castigo, tem apenas um jogo marcado em 2012 — a estreia na Copa do Brasil, em 7 de março, contra o Luverdense-MT. A tabela e muito menos o adversário do primeiro jogo na segunda divisão paranaense ainda são uma incógnica para o time que pelo menos em termos de marketing continua na mídia.
O responsável por devolver o Paraná à elite local é o recém-aposentado Ricardinho. O meia já até assumiu o cargo, mas como não tem partidas oficiais a disputar, aproveitou para tirar férias. Está com a esposa na Europa. “A situação ideal não era essa para eu começar a carreira de treinador, mas a situação do clube exigia que eu tomasse uma decisão”, explicou o jogador revelado pelo clube, ao assumir a missão de devolver o Paraná à primeira divisão estadual.
Fala, Jorginho
Foi ali (no América) que eu comecei como jogador, como treinador, e eu tive uma experiência grandiosa. Nós não tínhamos concentração! Eu coloquei o meu sítio para servir de concentração e tínhamos só um campo com grama natural de futebol society. Eu consegui com a prefeitura de Guapimirim alimentação, transporte, segurança e roupa lavada em troca de publicidade. No América, eu cheguei a pagar do bolso cinquentinha (R$ 50) para um funcionário que estava com salário atrasado cortar a grama, mas nós tínhamos de catar a grama e tirá-la do campo. Nós sofremos, mas chegamos à final da Guanabara contra o Botafogo. Aquilo ajudou na minha carreira.