22/02/2012 08:44
No futebol brasileiro, vida de técnico nunca é fácil. Principalmente no comando dos clubes considerados 'grandes'. Talvez por isso que o paulistano Marcelo Veiga esteja no comando do Bragantino há quatro anos consecutivos, é o que explica Emerson Leão, atualmente no São Paulo, adversário do Massa Bruta pela nona rodada do Campeonato Paulista.
Na visão de Leão, que está prestes a completar quatro meses no comando do Tricolor depois de quase dois anos desempregado, Veiga está plenamente satisfeito no time do interior e nunca pensou em 'voar mais alto'. Estarrecido com a recente demissão de Caio Júnior após oito partidas no Grêmio, Leão comentou o atual momento dos treinadores no país.
"Se você puder se manter financeiramente extra-campo, pode escolher os melhores lugares para trabalhar. O problema é que às vezes se é muito apaixonado pela profissão e aceita desafios. No último ano eu fiquei parado por duas questões: uma particular e a outra pessoal, quando você confia demais nas pessoas e não é retribuído. Mercado tem que ser de escolha. Outro treinador se oferecer é desagradável, mas isso acontece", discursou o treinador nesta terça-feira, data do último treino de preparação do São Paulo para enfrentar o Bragantino.
Leão não diminuiu o tom ao comentar a demissão de Caio Júnior pelo Grêmio na segunda-feira. Contratado em janeiro, o profissional foi dispensado com quatro vitórias, um empate e três derrotas em menos de dois meses de trabalho: "Eu acho vergonhoso e sem respeito, sem legislação. Algo que não se podia imaginar na época em que eu era atleta. Somos descartáveis de uma maneira muito desagradável. Mas é o que nós temos para o presente".
Técnico cita crise do Boca para elogiar longevidade de Marcelo Veiga
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| Veiga chegou ao Braga para treinar em 2004, mas está em sequência "apenas" desde 2008 |
Outro fato recente que escandalizou o técnico do São Paulo ocorreu na Argentina, onde o técnico Julio Cesar Falcioni, do Boca Juniors, quase foi dispensado em virtude de um desentendimento com o meio-campista Riquelme. Após mais de 30 partidas de invencibilidade, o treinador teve o trabalho questionado apenas por causa da briga com o jogador.
"O Veiga está muito satisfeito, fez a vida dele lá, então por mais que os outros queiram tirar, ele não dá ouvidos. O dirigente fica satisfeito também. É bom para todos aprenderem o que é estabilidade, mas reconheço que ele não tem preocupação de voar um pouco mais alto, por isso deu certo. Pior foi o treinador do Boca, que estava há 33, 34 partidas, aí empatou um jogo, questionou um atleta que descumpriu ordens e quase saiu. Precisa de mais alguma explicação? É isso que acontece", disparou.
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