Vôlei

Com a vontade do comandante

Depois de participar de quatro conquistas como auxiliar, Jarbas Soares Ferreira trabalha para levar o Minas novamente a uma final de Superliga à frente do time feminino

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postado em 27/03/2012 10:26 / atualizado em 27/03/2012 11:02

Ivan Drummond/EM/D.A Press
Um dos trunfos do time de vôlei feminino do Minas para tentar chegar ao título da Superliga Nacional, o que ocorreu pela última vez há 10 anos, está no banco. Trata-se do comandante da equipe, o técnico Jarbas Soares Ferreira, que ainda busca seu primeiro título à frente da equipe, depois de participar de quatro conquistas da competição como auxiliar técnico.

Jarbas chegou ao Minas em 1986, para trabalhar nas escolinhas. “O Otto Morávia de Carvalho era o coordenador do setor. Fiquei sabendo de uma vaga e agendei uma entrevista. Havia vários concorrentes, mas acabei escolhido por ele. Trabalhei na formação até 1991, quando fui convidado pelo Cebola para ser auxiliar técnico.”

E foi com um time que tinha Hilma, Ana Paula, Asna Flávia, Leila, Mariana Cenni, Ana Flávia, Andréa Marras, Fernanda Doval, Cilene, Márcia Fu, Ida, Arlene, Kátia, que Jarbas ajudou a erguer o primeiro troféu, de campeão da Liga Nacional, em cima do São Caetano, de Ana Moser, Fofão, Fátima, dirigido por José Roberto Guimarães, na temporada 1992/1993. Na temporada seguinte, ainda com Cebola e Jarbas, o Minas foi vice-campeão mundial interclubes, na Itália.

“O Cebola foi convidado pelo extinto Banespa para ser o técnico do time masculino e fui com ele. Ficamos duas temporadas. Mas retornamos ao Minas em 1996 e trabalhamos juntos até 2002, quando fomos tricampeões da Superliga”, contra o técnico, que no ano seguinte, deixou de ser auxiliar para ter a sua primeira experiência como técnico, comandando o time masculino do Palmeiras.

A parceria durou um ano, pois o time foi extinto e Jarbas voltou a ser auxiliar novamente, sempre com Cebola, no masculino do MTC. Em 2004, Cebola saiu e o time foi assumido por Manu. Jarbas continuou e quis o destino que ele e Cebola se juntassem novamente, no Minas. A dupla só foi desfeita em 2008, quando o amigo foi para São Paulo, para dirigir o Pinheiros.

Mas nessa separação veio a oportunidade que ele tanto esperava, pois foi alçado a técnico da equipe feminina, iniciando um trabalho que ganhou força esse ano, já que o treinador conseguiu montar a mais competitiva equipe desde o título de 2002, no time que tinha ninguém menos que Cristina Pirv.

Essa fase, segundo Jarbas, é a melhor de sua carreira, pois foi a partir daí que passou a ter uma aproximação maior com jogadoras estrangeiras. “O esporte se globalizou. Primeiro veio a Metcalf. No mesmo time estava a dominicana Vargas. Depois, veio a Nicole Fawcett. Agora, tenho a oportunidade de trabalhar com duas cubanas, Herrera e Daymi. É o mesmo que ter trabalhado no exterior, sem sair daqui. O contato com essas escolas foi e continua sendo muito importante, para mim, para o Minas e para as jogadoras.”

APRENDIZADO

Jarbas costuma dizer que a diferença do vôlei de quando começou a trabalhar com a equipe adulta, em 1991, para os dias de hoje é muito grande. “Naquela época, era muito técnico, com jogadoras de muita categoria. Hoje, com as cubanas, é mais força. Pará-las é muito difícil. Em cada ataque parece até que estão tentando furar o chão. Mas essa é a forma de treinamento que elas tiveram em Cuba. A vida delas, assim como as norte-americanas e a dominicana nos colocou em contato com escolas diferentes e que vamos aprendendo e assimilando, incluindo na maneira de jogar da equipe.”

Para ele, a dupla representa o trunfo do time. “A força que as demais equipes têm com as jogadoras da Seleção Brasileira, nós temos com as cubanas. Elas têm uma característica diferente, parecem ter mais sangue nas veias. São guerreiras, agressivas, vão para cima. Nossas jogadoras começam a assimilar essas características. A Fernanda Ísis, meio de rede, por exemplo, cresceu com as duas. Está mais agressiva”.

Jarbas tem um grande problema nas mãos. A ausência de Daymi, suspensa por três cartões amarelos, complica a situação do time, que perde uma jogadora de grande potencial de ataque para o segundo jogo da série contra o Osasco, sexta-feira, às 18h45, na Arena JK. “Temos de esperar pela recuperação da Mari Paraíba. Com ela, a Carla jogará de oposto.”

Os dias de Jarbas são divididos entre a quadra e a família. Faz questão de levar os filhos, Isabela, de 6 anos, e Léo, de 3, para a aula todos os dias. Ele tem na mulher, Cássia, uma espécie de talismã. “Ela tem de estar em todos os jogos. Sempre que acaba um jogo eu corro pra comemorar com ela, na grade.” Hoje Vôlei Futuro e Rio abrem às 21h, no Ginásio Plácido Rocha, em Araçatuba, a segunda semifinal da competição.