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LUTA OLÍMPICA

Aline Ferreira fala sobre sonhos para o próximo biênio: medalhar no Rio-2016 e ser mãe; leia entrevista

A primeira brasileira a conquistar uma medalha mundial na luta olímpica tem dois objetivos pela frente: subir ao pódio nos Jogos do Rio, no ano que vem e, depois, se tornar mãe

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postado em 19/04/2015 12:03

Rodrigo Antonelli /Correio Braziliense

Renato Sette/CBLA

No auge da carreira após se tornar a primeira brasileira a conquistar uma medalha mundial na luta olímpica, Aline da Silva Ferreira aparece como esperança de pódio nos Jogos do Rio-2016 e começa a sentir a pressão da fama. Além de dedicar mais tempo às entrevistas, a rotina de treino não dá descanso para a lutadora, que sente a falta de intervalos para seus hobbies. “Está difícil manter as séries em dia. Tive de me programar para ver a reestreia de Game of Thrones”, brincou, em conversa ao telefone com o Correio.

Bem-humorada, Aline deixou no passado os tempos difíceis que quase a fizeram largar o esporte. Ela perdeu a vaga para o Pan-2007 por causa de uma lesão e, depois, foi parar em uma equipe de
Curitiba de projeto fracassado, com duração de dois anos.

Nesta década, pelo Sesi-SP, a sorte virou. Lutando em casa, a paulistana se tornou uma das principais lutadoras do país e foi prata nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara-2011.

Agora, está concentrada no Rio antes de embarcar para o Chile, onde disputará o Pan-Americano de Luta Olímpica no próximo fim de semana. Ao Correio, Aline falou sobre as expectativas olímpicas, o sonho do ouro no Pan de Toronto, e abriu o jogo sobre o futuro.

Qual foi a sensação de ser a primeira brasileira a conquistar uma medalha mundial na luta olímpica?
Foi um sonho. Trabalhamos muito por isso e sabíamos que a medalha viria uma hora. Não poderia ter sido num momento melhor para a luta olímpica brasileira, perto das Olimpíadas no país. Vejo um futuro muito bom para a modalidade.

Diante dos bons resultados recentes, como a sua prata no ano passado, acredita que o esporte começa a crescer no país?
Com certeza, dá para perceber que está alavancando a modalidade. Tem mais gente interessada, até porque o investimento aumentou. Com esse dinheiro, temos viajado mais, competido mais no exterior, e isso dá mídia, além de resultados importantes. Ganhamos experiências e começamos a aparecer mais, incentivando novos talentos.

Como está a expectativa para as Olimpíadas? Dá para pensar em pódio?
Para mim, não é uma expectativa, é uma realidade. Acordo e durmo pensando nisso todos os dias. A expectativa fica para quem assiste, torce. Meu trabalho é treinar forte e me concentrar no objetivo, que, sim, é conquistar uma medalha dentro de casa. É um sonho que estou buscando.

O Pan de Toronto, em julho, é um passo importante?
Sim, claro. É uma das principais competições preparatórias para as Olimpíadas. Na última edição (Guadalajara-2011), eu fui prata. Agora, quero o ouro e acredito que é uma meta possível, apesar de estar mais visada pelas adversárias depois do vice no Mundial.

Uma curiosidade sobre você é a formação superior em estética. Como ocorreu isso?
Fiz pensando no meu futuro, para ter uma atividade depois que me aposentar da luta. Escolhi estética porque sempre gostei muito do ramo da beleza. Sempre fui de me arrumar, fazer banho de creme, máscara de rosto... Cursei para entender melhor como funcionava.

Tem essa preocupação com a aparência mesmo em dia de luta?
De jeito nenhum. Nem me preocupo, porque sei que vai bagunçar de qualquer jeito. Acho que é algo para outro momento. Tenho que me manter focada na luta, e maquiagem, lápis ou qualquer outra coisa pode desviar minha atenção — até porque nós suamos muito durante as lutas e a maquiagem pode escorrer no olho.

Como a luta olímpica surgiu na sua vida?
Foi quando eu ainda era adolescente. Comecei com o judô, aos 13 anos. Depois de um tempo, foi ficando muito complicado evoluir na minha categoria, porque a concorrência no judô é muito grande. Meu professor percebeu que eu tinha jeito para a luta olímpica e me levou para fazer testes. Resisti bastante num primeiro momento. Depois que disputei o Campeonato Brasileiro pela primeira vez e venci, decidi que era uma boa ideia.

A questão do apoio não é ainda mais complicada na luta olímpica, em comparação com o judô?
Não foi para mim. Logo que comecei a ganhar os campeonatos, a confederação (CBLA, Confederação Brasileira de Lutas Associadas) apareceu para me dar um apoio, e as coisas foram acontecendo naturalmente.

Atualmente, você é atleta do Sesi-SP, mas treina com a Seleção Brasileira, no Rio. Como é se dividir entre as duas cidades?
É muita correria. Moro em São Paulo, com meu marido, mas as viagens para o Rio estão cada vez mais constantes. Sempre deixo uma mala semipronta em casa, para perder menos tempo com esse tipo de coisa. Agora, estou no Rio, concentrada para o Pan de Luta Olímpica, que será na semana que vem, no Chile.

O marido entende a situação?
Não só entende, como participa. Ele é judoca e largou o emprego para ajudar nos meus treinos. Está sempre comigo, mesmo nas concentrações com a Seleção. Só não consegue ir às competições, por causa dos custos. Daí, sinto falta dele nos treinos. O Flávio (Ramos) é importante demais para mim, porque, com o meu peso, quase 80kg, fica muito difícil ter uma menina para treinar comigo. Ele me ajuda com isso.

Você está com 28 anos. As Olimpíadas do Rio, ano que vem, podem ser suas últimas?
É difícil dizer. Há mulheres que competem até os 34, 35 anos, mas não sei como vou estar até lá. Sonho em ter filhos e estou me programando para isso depois dos Jogos de 2016. A prioridade hoje é a luta, totalmente. Se me falassem que eu tinha que me mudar para o Iraque agora, porque lá o treinamento é melhor, eu não pensaria duas vezes. Depois, quero dar prioridade à minha vida pessoal. Continuar vai depender muito de como meu corpo vai reagir à maternidade.

Quem é ela
Aline da Silva Ferreira
Nascimento: São Paulo (SP)
Idade: 28 anos

Melhores resultados
» Prata no Mundial de 2014 (até 75kg)
» Prata no Pan-Americano de 2011 (até 72kg)