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Travessia das Pontes, torneio com percursos de até 50km, chega à oitava edição

Condicionamento físico, boa técnica e estratégia para suportar o desgaste são essenciais durante a prova

postado em 07/12/2018 09:48 / atualizado em 07/12/2018 10:03

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Diana Nishimura/Canuí/Divulgação
Remar é preciso para viver. E aproveita melhor a vida quem acorda cedo. Essas podem ser consideradas premissas elementares para os cerca de 60 atletas que neste sábado (8/12), a partir das 7h, participam da oitava edição da Travessia das Pontes, competição de caiaque, canoa va’a, stand up paddle (SUP) e remo, com percursos de 20km a 50km, sobre as águas do Lago Paranoá. A largada ocorre na Concha Acústica.

Segundo Diana Nishimura, treinadora da equipe Canuí Canoagem e organizadora do evento, há dois perfis básicos de competidores. “Para os atletas mais treinados, é um desafio de performance, em busca de melhorar o tempo de conclusão do percurso e superar os concorrentes que costumam chegar na frente. Para o segundo grupo, que é maioria, funciona como uma prova mental, de autoconhecimento em relação a aspectos de hidratação, alimentação e posicionamento, acima de questões relativas a condicionamento físico e técnico. No entanto, há um tempo de corte. Caso o competidor não conclua o trajeto em até seis horas, ele acaba ficando nas últimas posições”, explica Diana. Os primeiros colocados atingem velocidade média de 12km/h, concluindo o circuito de 50km em cerca de 4h20min.

Vencedor da prova no ano passado, quando o SUP passou a integrar a programação do evento, o gaúcho Cirano Gomes, 30 anos, pratica a modalidade há uma década. “Quando cheguei a Brasília, senti-me obrigado pelo clima seco a praticar um esporte na água”, explica. Devido ao maior desgaste provocado pela posição em pé em que o praticante fica, além da menor velocidade da prancha, em comparação ao caiaque e à canoa va’a, a competição de SUP tem distância reduzida de 40km. “Não é um percurso muito comum em provas de SUP e o vento contrário aumenta ainda mais a dificuldade”, comenta Cirano, que completou o trajeto em 2017 com tempo de 4h39min36s.

Para cumprir todo o período remando em boas condições físicas, o competidor ressalta a necessidade de estabelecer uma boa estratégia de hidratação e alimentação. O plano é comer algo a cada 40 minutos e ingerir líquidos com frequência. “Levo uma mochila de hidratação com água e isotônico, dando pequenos goles constantemente. A alimentação mais sólida fica basicamente a cargo de gel de carboidratos e cápsulas de sal. Com a prancha ainda em movimento, abro as embalagens e faço a ingestão rapidamente, sem prejudicar muito o tempo de prova”, explica Cirano, que na semana passada obteve a terceira posição na Volta de Ilha Bela (SP), uma disputa de 90km em canoa va’a.

A condição climática é outro importante desafio a ser superado. A previsão do tempo indica períodos de chuva e vento durante a prova, mas, segundo Diana Nishimura, os competidores estão bem habituados a essas intempéries. “Próximo ao Palácio da Alvorada, costumam surgir duas ou três frentes de ventos, que vêm canalizado a partir da barragem. Houve ano em que meia dúzia de embarcações viraram, mas nossa equipe de segurança sempre contornou bem a situação. No entanto, quem aceita participar da prova geralmente está bem treinado e poucos desistem de completar o percurso. Às vezes, o Lago Paranoá se transforma em um mar revolto, mas a maioria completa o desafio”, comenta Diana.

Conheça o percurso da prova

 

Redução de patrocínio para o evento

O evento deste ano sofreu uma significativa redução em relação a edições passadas recentes. Em 2017, foram 130 inscritos. Na temporada anterior, quase 190. O decréscimo se deve a questões financeiras, pois foram captados menos patrocínios, e devido ao excesso de competições nas últimas semanas, o que prejudicou a agenda dos atletas.

“Essa é a maior prova de Brasília em distância para caiaque e SUP. Esperamos obter novos patrocínios em 2019 para fazer uma prova mais forte, com participação de atletas e equipes de fora do DF. Na atual temporada da canoa va’a, minha equipe foi ao pódio no Sul-Americano e sagrou-se campeã do Circuito Aloha Spirit, na categoria master. Foram conquistas recentes que nos tomaram certa energia, impedindo que fizéssemos uma organização mais dedicada da Travessia das Pontes”, justifica Diana Nishimura.

Apesar do menor número de inscritos na competição desta temporada, a treinadora e organizadora da prova destaca o aumento da participação de atletas de Brasília no cenário nacional e internacional em competições da modalidade. Segundo ela, a capital do país tem sido responsável por quase 30% do contingente de competidores em provas no Brasil ou das delegações enviadas ao exterior. “É uma surpresa, mas esse fenômeno tem sido observado nos últimos três anos. Temos, por exemplo, a primeira equipe do país para maiores de 60 anos, que representou o Brasil no último Mundial de Clubes”, comenta Diana.